A emoção das primeiras altas nos hospitais

Camilla Galeano

Mesmo com o excelente trabalho realizado em Niterói para conter o avanço da Covid-19, os locais para atendimento dos pacientes passaram a não dar conta da alta demanda de casos suspeitos e confirmados. Em apenas 20 dias, Niterói preparou, em Piratininga, o Hospital Oceânico, referência no tratamento dos pacientes com a Covid-19.

O novo hospital foi construído pela iniciativa privada, nunca foi inaugurado e estava fechado há dois anos quando foi arrendado pela Prefeitura. Foi feito um trabalho de adequação das instalações e compra e implantação de equipamentos para a unidade entrar em operação.

Alguns dias após a sua inauguração, os primeiros pacientes que foram internados com sintomas mais grave da doença, tiveram alta.

Alexandre das Chagas Fernandes, de 51 anos, e Luis Fernando Silva, de 68, foram dois pacientes que tiveram alta do Hospital Oceânico no dia 30 de abril. Os dois deram entrada na unidade com quadro de insuficiência respiratória grave e ficaram no Centro de Terapia Intensiva (CTI). Recuperados da doença, receberam aplausos de médicos e enfermeiros no momento em que deixavam a unidade.

Alexandre, que passou sete dias sob cuidados intensivos, foi o primeiro a deixar o hospital. Visivelmente emocionado, o vendedor agradeceu o empenho das equipes.

“Eu não tenho como expressar o sentimento de gratidão a todos vocês. Estiveram o tempo todo comigo, fiquei impressionado com o cuidado, parecia de um pai com um filho. Agora estou com a sensação de viver novamente, louco para voltar para casa e ao convívio da minha família. Muito obrigado”, desabafou.

Ele aproveitou para abraçar a mulher, Vanessa Ferraz, que o aguardava na saída do hospital.

“É maravilhoso ver ele voltar para casa. Fiquei muito nervosa quando ele veio para cá, pois sei que estava grave. Mas tudo deu certo. Um dia de cada vez ele foi evoluindo e agora está de volta”, agradeceu Vanessa. Ela elogiou o trabalho da equipe de assistentes sociais e psicólogos, que entrou em contato com a família todos os dias informando o estado de saúde do marido.

Em seguida foi a vez de Luís Fernando reencontrar a família. O aposentado chorou ao relembrar como chegou ao hospital.

“Nunca pensei passar por isso na vida. Quando entrei aqui estava com uma falta de ar e tive a sensação de entrar num lugar que não sabia se ia retornar. Ficava pensando que talvez não acordaria mais. Hoje é uma alegria incrível poder voltar para casa, é como nascer de novo. Só tenho a agradecer a equipe que me acompanhou o tempo inteiro”, relatou.

O médico intensivista Rogério Silveira, que acompanhou de perto os dois casos no CTI, destacou o trabalho da equipe.

“Os pacientes chegaram graves. O Alexandre, por exemplo, ficou no limite de ir para a intubação com uma insuficiência bem significativa, mas a equipe fez todos os procedimentos necessários e aos pouquinhos ele foi melhorando. Eles nos surpreenderam pela evolução e tudo ocorreu bem”, disse o médico.

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