A arte de atar e desatar os nós do macramê

Nó simples, duplo, laçado e quadrado. Esses são alguns tipos que fazem parte da arte centenária que é o macramê. A técnica de tecer fios de forma artesanal e sem nenhum tipo de maquinário ganhou o gosto das pessoas e está inserida em vários segmentos: da decoração de ambientes à moda. Se para uns o macramê é uma terapia, para muitas pessoas a brincadeira virou trabalho e fonte de renda.

A empresária e artesã Vanessa Telles, de 37 anos, se amarrou (literalmente) ao macramê e entre cordas e linhas passa a pandemia criando suas peças e vendendo de forma online.

“Eu perdi meu emprego na pandemia e comecei como uma forma de terapia. Eu sempre achei incrível o trabalho manual e o macramê decorativo. Eu queria fazer uma peça para decorar a minha sala. Comecei pesquisando alguns tutoriais na internet, comprei o material e fiz o painel para minha sala. Postei nas minhas redes sociais e fez um sucesso e perguntaram onde eu comprei e a partir daí foi um impulso para continuar”, lembrou a moradora de Itaboraí.

A partir daí Vanessa começou a estudar e entrar de cabeça nesse universo.

“Estudei a técnica, a história e busquei referências em artesãos brasileiros e de Portugal. A terapia virou meu trabalho. As minhas peças vão para casas dos clientes para iluminar, para trazer felicidade e amor. O macramê é um pouco de mim indo para a pessoa. Além disso tive que começar a estudar empreendedorismo e mercado digital já que hoje esse é o meu trabalho”, completou a artista.

Também apaixonada pela técnica e pelos resultados a jornalista e artista plástica Ana Soares, 32 anos, começou a dar os primeiros nós em março do ano passado, logo no início da pandemia da Covid-19.

“Sempre tive vontade de aprender e surgiu na pandemia. Em março de 2020 comecei a estudar timidamente sobre isso. De forma autodidata e fazendo desenhos das peças originais”, explicou a moradora de Maricá.

O talento foi tanto que a artista montou uma exposição que ficou em cartaz até mês passado no Espaço Cultural Correios Niterói, após ser adiada de 2020 para 2021 por conta da crise sanitária.

“O projeto original da minha exposição não tinha as peças de macramê. Acredito que todos estão sendo tão afetados pela pandemia, de alguma forma, que eu achava que o projeto original não fazia mais sentido e encaixei todas as peças de macramê na exposição. Para mim viraram mais que painéis e viraram obras de arte mesmo”, pontuou.

Ana explica que para ela o macramê é uma necessidade.

“Preciso externalizar isso. Não chega a ser terapêutico e nem é hobby, é uma necessidade. E me dedico para isso. Eu tenho todo um cuidado e preparo antes de começar a obra com os galhos. É uma entrega minha. É externar a criatividade e uma energia criativa que eu preciso colocar para fora. É uma necessidade de criar. Quando eu to fazendo parece que eu já sabia. Também, vem de um lugar espiritual e de conexão”, contextualizou.

HISTÓRIA

O macramê (Migramach) tem origem turca e significa “tecido com franjas, tramas ornamentais e galão decorativo”. A produção datada do século XIII d.C. era feito pelos tecelões turcos que faziam muitos itens com franjas. A técnica foi criada na atual Turquia mas a literatura data o macramê na China, na Mesopotâmia e no Egito no ano 3.000 a.C..

Raquel Morais

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