Amigo e repórter 25 horas por dia

Nos anos 1970 eu fui até a sede do Jornal de Icaraí, na época na Ponta D’Areia. O J.I. pertence ao diário A Tribuna e foi o primeiro semanário de distribuição gratuita de Niterói, em atividade (e impresso em cores) até hoje.

Fui ao jornal porque queria divulgar um filme de amigos e o editor era Mário Dias. Mais cabeludo do que eu, gente boa, estressado (ele também dirigia a sucursal de O Dia em Niterói), disse “meu chapa, senta naquela máquina, escreve a nota e me passa”.

Escrevi rápido e entreguei. Ele:

– A nota está boa. Você não quer fazer uma coluna para jovens?

Nascia aí mais um jornalista.

O Mário era movido pela emoção e pelo faro de repórter e costuma dizer “aí tem coisa” quando intuía uma notícia. Vendo o Mário trabalhar entendi o que é um repórter de verdade, ligado, antenado, aceso. Daqueles que estava sentado num bar com amigos sexta à noite e de repente saia correndo para apurar alguma coisa.

O destino nos colocou juntos nos governos de Jorge Roberto Silveira e João Sampaio, ele na Comunicação do Gabinete e eu na Fundação de Arte. Continuava sendo o Mário repórter, gente boa, generoso, sambista de primeira, querido por todos. Quem vai esquecer a sua voz vibrante no telefone, “fala, irmãozinho…é o seguinte”.

A triste notícia de sua morte, além do abalo, a constatação de que, com certeza, perdemos um dos maiores repórteres do Estado do Rio, atual e antigo. Representante de uma geração de jornalistas que com um bloquinho desconjuntado a uma caneta bic levantava histórias de gigantesca importância. Repórter da Geral, Polícia, Política.

Mário, muito obrigado por tudo o que você fez pelo Jornalismo maiúsculo, por Niterói, pelo país, por mim.

Fique com Deus.

Luiz Antonio Mello

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