Impeachment de Witzel: testemunhas começam a ser ouvidas

Um total de 27 testemunhas de acusação e defesa o começaram as ser ouvidas hoje pela manhã pelo Tribunal Especial Misto para dar continuidade no processo de impeachment do governador afastado Wilson Witzel.  

Witzel foi denunciado por crime de responsabilidade e está afastado desde 28 de agosto pelo prazo de 180 dias. Ele é investigado por suposta participação em fraudes na área da saúde.

O tribunal é presidido pelo desembargador Claudio de Mello Tavares, que é o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), e formado por cinco desembargadores e cinco deputados estaduais

O interrogatório de Witzel está marcado para amanhã (18), às 16h, ocasião em que deverá apresentar sua defesa. As duas sessões serão no Tribunal Pleno do TJRJ.

 

Nunca foi garoto de recado, diz Lucas Tristão

O ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia e Relações Internacionais, Lucas Tristão, foi o primeiro a ser ouvido. Preso, ele prestou depoimento por videoconferência. Ele disse que “Nunca fui garoto de recado e nunca participei nem tomei conhecimento de qualquer negócio espúrio com o governador”.  

Além dele, também prestaram depoimento como testemunha de defesa: Luiz Roberto Soares, sócio da OS Unir Saúde, Gabriell Neves, ex-subscretário de Saúde, Ramon de Paula Neves, ex-subsecretário de Pesca e Agricultura, e Pastor Everaldo, aliado político de Witzel.

A Organização Social Instituo Unir Saúde fechou vários contratos com a Secretaria de Saúde entre os anos de 2018 e 2019 até ser desqualificada como OS pelo estado em outubro de 2019. Ela teria como donos Mário Peixoto e seu operador financeiro Luiz Roberto Martins.

Tristão falou que, ao se mudar para o Rio, passou a ter um vínculo de amizade com Mário Peixoto, mas hoje não mantém mais contato com o empresário. “Foi meu cliente, o filho dele também foi meu cliente, e desde 1º de janeiro, quando me mudei para o Rio de Janeiro, desenvolvi um relacionamento de amizade com ambos”.

Sobre os documentos do escritório de Helena Witzel que foram encontrados em sua sua casa, preferiu fazer uso do direito de permanecer calado.

O segundo a depor foi o sócio da OS Unir Saúde, Luiz Roberto Martins Soares. Ele negou todas as acusações e ao ser questionado se um dos citados em uma escuta telefônica seria Mário Peixoto disse: “Não me lembro”.

 

O advogado de defesa afirmou que Luiz Roberto só responderá essa pergunta em juízo.

O Pastor Everaldo foi o terceiro a prestar depoimento. Citado na delação premiada do ex-secretário de Saúde, Edmar Santos, por conta de sua influência no Palácio Guanabara. Segundo Edmar, era Everaldo quem mandava na Saúde.

 

Não estou em condição de prestar nenhum depoimento neste processo por ser réu no STJ pelos mesmos motivos que estão sendo discutidos aqui nesta corte”, disse.

O ex-subscretário de Saúde, Gabriell Neves, foi o quarto a prestar depoimento. Mas preferiu se manter em silêncio. Invocarei meu direito ao silêncio, tendo em vista que não tive acesso ao conteúdo da delação premiada do senhor Edmar Santos”, disse Neves a respeito das acusações de pagamento de propina e favorecimento de organizações sociais em contratações.

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