400 mil vidas perdidas

Em 13 meses de pandemia o Brasil atingiu nesta quinta-feira (29) a triste marca de 400.021 óbitos. Só entre março e abril deste ano foram contabilizadas 100 mil mortes no país. Ou seja, nos últimos 36 dias, uma em cada quatro pessoas perdeu a vida no Brasil. Os casos confirmados chegaram a 14.541.806. Os dados podem ser ainda maiores já que ainda não foram totalmente contabilizados.

O Brasil é o segundo país em óbitos acumulados, atrás apenas dos EUA, que tem cerca de 575 mil, e também o segundo no registro de novas ocorrências da Covid-19 na última semana, ranking liderado agora pela Índia. A taxa de letalidade mais que dobrou, de 2% no final de 2020, para 4,4% na semana passada.

A marca dos primeiros 100 mil óbitos no Brasil foi atingida 5 meses (149 dias) depois da primeira morte ser anunciada no dia 17 de março de 2020. Dos 100 mil para os 200 mil óbitos, passaram-se outros 5 meses (152 dias). Em 10 meses, de 17 de março de 2020 a 7 de janeiro de 2021 (301 dias) foram 200 mil óbitos registrados. O mesmo número de mortes foi registrado em apenas 3 meses (111 dias), de 8 de janeiro de 2021 a 29 de abril 2021.

“A CPI VAI INVESTIGAR SE O OBJETIVO DE BOLSONARO ERA ESPALHAR A COVID-19”

O senador Humberto Costa, único pernambucano a integrar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada pelo Senado para investigar a forma como governo brasileiro enfrentou a pandemia da covid-19, explicou que, ao contrário de outras investigações realizadas no parlamento, essa comissão não irá começar do zero.

Um estudo da Faculdade de Saúde Pública da USP que analisou 3.049 normas federais produzidas em 2020 será um dos documentos usados para fundamentar o início dos trabalhos. Esse levantamento, publicado originalmente pela edição brasileira do jornal espanhol El País, estabelece a relação entre os discursos e falas públicas do presidente Jair Bolsonaro com os atos formais do seu governo, assinados por ele mesmo ou por seus ministros.

Os pesquisadores concluíram que o presidente adotou a propagação do coronavírus entre os brasileiros como estratégia institucional. A tarefa da CPI, segundo Costa, será confirmar se isso realmente aconteceu e se houve crime doloso na morte de quase 400 mil pessoas.

Repercussão

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) divulgou nota lamentando as 400 mil mortes.

“O número reflete a dor de famílias que perderam pais, avós, filhos e irmãos de forma rápida, violenta e muitas vezes solitária. Reflete também erros de condução e a ausência de coordenação centralizada no nível federal.”

Na nota, os secretários estaduais de Saúde insistem na necessidade de ampliar a vacinação contra a Covid-19 e de uma ampla campanha de comunicação para destacar a importância das medidas de prevenção e garantir adesão à vacinação.

O Conselho Nacional de Saúde (CNS) também soltou comunicado no qual se solidariza com as famílias dos mortos e critica as ações do governo federal.

“A ausência de coordenação nacional, o desfinanciamento deliberado do Sistema Único de Saúde (SUS) e a negação com motivação ideológica para compra das vacinas contra a covid-19, no momento em que precisávamos ter adquirido, são alguns dos inúmeros motivos que tornam a atual gestão como a grande responsável pela barbárie que vivemos”, diz o texto do CNS.

Estado do Rio se aproxima dos 44 mil óbitos

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio (SES) informa que registrou, até quinta-feira (29), 737.844 casos confirmados e 43.965 óbitos por coronavírus no estado. Em 24 horas foram contabilizados 4.080 novos casos e 347 mortes. A taxa de letalidade da covid-19 no Rio está em 5,96%, a maior do país. Entre os casos confirmados, 685.269 pacientes se recuperaram da doença.

Segundo o painel de dados desenvolvido pela pasta, a taxa de ocupação de Unidades de Terapia intensiva (UTI) para a covid-19 no estado é de 87,2%. Já a taxa de ocupação nos leitos de enfermaria é de 67%.

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