Rodrigo Neves deixa a prisão

Raquel Morais –

Depois de horas de espera, no final da tarde de ontem o prefeito de Niterói Rodrigo Neves deixou o presídio de Bangu 8, na Zona Oeste do Rio, às 17h34min. A demora se deu por conta de um pico de energia que ‘derrubou’ o sistema de informática da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). Rodrigo Neves estava preso desde 10 de dezembro do ano passado, junto com João dos Anjos da Silva Soares, preso na mesma ocasião, parte da Operação Alameda, desdobramento da Lava Jato, mas que também foi solto na tarde de ontem.
Acompanhado por alguns amigos, esposa, filhos, mãe, irmã, sogra e outros parentes, Rodrigo foi bastante abraçado na porta da penitenciária. Ele saiu com dois livros nas mãos, sendo um deles a Bíblia, muito emocionado e contou um pouco dos dias em que ficou preso. Ele ressaltou ainda que não teve participação em nenhum esquema de propina.

“As pessoas precisam ser ouvidas e eu nunca fui ouvido nesse processo. Dentro desses dias eu não fui ouvido e não sou réu e agora eu vou poder ter a oportunidade de prestar esclarecimentos que eu não tive. Tenho a consciência absolutamente tranquila”, contou.
Junto com a filha Mayara Sixel, que está grávida, Rodrigo também comentou sobre a justiça no Brasil e lembrou do Marielle, que nessa semana apontou dois suspeitos envolvidos na morte da política em março de 2018, que foram presos após um desdobramento nas investigações, a Operação Lume.

“Tenho que agradecer a Deus que é justo e misericordioso nesse momento. Não é fácil a vida no cárcere. Vou ter minha primeira neta e fiquei 40 dias sem ver minha família e sem passar o Natal com eles. Quero agradecer também a população de Niterói que manteve a confiança nesses meses. O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) não apontou nenhuma movimentação atípica e suspeita nas minhas contas e a quebra de sigilo também não apontou nenhum tipo de envolvimento ilícito. Hoje quero ter minha ceia de Natal com minha família”, pontuou.
Quem também esperou a liberdade de Neves foi o presidente do PT de Niterói, Anderson Pipico, que comentou a decisão da justiça. “Uma decisão de seis a um acho que demonstra o que a gente vem percebendo ao longo que não apareceu nenhum tipo de prova concreta que pudesse justificar uma prisão dessa arbitrária. Agora é só comemorar e dar aquele abraço que está reprimido e tentar fazer com que as coisas voltem ao curso natural”, comentou.

À noite, quando chegava a sua casa, em Santa Rosa, um grupo de quase 400 pessoas esperava por ele. Ao gritos de ‘o prefeito voltou’, ele foi tirado do carro e levado nas braços da população. Visivelmente emocionado e cansado, ele percorreu 100 metros nas costas das dezenas de pessoas, que gritavam seu nome, até subir em um carro de som.
“A justiça foi feita, nunca duvidei disso. Tenho que agradecer a todos, principalmente minha família, que manteve a árvore de Natal até agora, terei hoje (ontem) minha ceia de Natal. Agradeço também ao (Paulo) Bagueira que manteve Niterói funcionando, ele foi leal não a mim, a Niterói. Amanhã (hoje) volto à prefeitura, mas quero a ajuda de Bagueira mais do que antes”, discursou Rodrigo Neves para as dezenas de pessoas que o esperavam na porta.

Por seis votos a um, o 3º Grupo de Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) deferiu no fim da tarde da última terça-feira o agravo que concedeu liberdade a Rodrigo Neves. No mesmo dia, o colegiado decidiu que Rodrigo Neves poderia reassumir o cargo. Pela decisão, ele não poderá viajar para o exterior e terá que se apresentar à justiça sempre quando for convocado. Além disso, seu passaporte foi recolhido e não poderá manter contato com os demais investigados nem com as testemunhas arroladas pelo Ministério Público. Também não poderá deixar a cidade de Niterói por mais de oito dias sem autorização do juízo.

ENTENDA O CASO
O relator Luiz Noronha Dantas foi o único que votou pela manutenção da prisão e rejeição do Agravo. Já os desembargadores José Lúcio Munhoz, Valdez Leite Machado, Fernando Almeida, Luciano Barreto, Marcelo Castro e Jaime Dias Pinheiro Filho votaram pelo provimento do agravo. O relator votou pela aceitação da denúncia do Ministério Público (MP-RJ) de que Rodrigo Neves (PDT) é suspeito de ter desviado mais de R$ 10 milhões da verba de transporte do município entre 2014 e 2018. Mas três desembargadores pediram vistas do processo e o mesmo teve que ser adiado.
A investida é desdobramento da Lava Jato no Rio. Rodrigo responde a esse processo ao lado do ex-secretário Domício Mascarenhas e dos empresários de ônibus João Carlos Felix Teixeira e João dos Anjos Silva Soares.

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