Medidas simples que ampliam qualidade de vida

Raquel Morais –

Os cartões de crédito poderão ganhar informações em braile. Isso é o que prevê o projeto de lei complementar 84/2018, em tramitação no Senado Federal. Atualmente, algumas empresas já oferecem alguns serviços em braile, como a de gás encanado, que passa o código para pagamento em braile. A Águas de Niterói estuda essa modalidade para o futuro. A discussão do tema e a implementação dessas adaptações deixa contente quem precisa dessa leitura escrita universal.

As medidas parecem simples, mas para quem tem a limitação visual é a chave principal para a independência, tão almejada para essas pessoas. Muitos laboratórios farmacêuticos já disponibilizam o braile nas caixas dos medicamentos. Elevadores e caixas automáticos de instituições bancárias também já ganharam os ‘pontinhos em alto relevo’ para auxiliar os deficientes visuais. Alguns cardápios de restaurantes, museus e até contas para pagamento também já ganharam o braile.

O projeto em questão tramita na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), onde aguarda designação de relator. Segundo texto, a normativa garante aos correntistas cegos, sem custo adicional, quando por eles solicitado, um kit que conterá uma etiqueta adesiva de filme transparente para ser fixada ao cartão com identificação em braile, se de crédito ou débito, e os seis dígitos finais da sequência. Também faz parte do kit um porta-cartão conveniente ao transporte do usuário que possibilite o acesso às informações necessárias, em braile, do número e tipo de cartão, da bandeira, do nome do emissor, da data de validade, do código de segurança e do nome do portador do cartão.

O professor de informática para cegos, Luiz Benedicto, de 63 anos, comemora essas questões. “Esses detalhes influenciam diretamente na qualidade de vida de quem não enxerga. A impressão do braile em papéis, por exemplo, é algo simples de ser feito e basta procurar os órgãos que fazem esse tipo de serviço. Se todo mundo soubesse a importância dessa autossuficiência para o cego seria ótimo”, comentou.

A terapeuta ocupacional da Associação Fluminense de Amparo ao Cego (Afac), Patrícia Valesca, concorda com o professor. “Essas se tornam formas de inclusão dos cegos e facilita o dia a dia das pessoas que não enxergam e que têm baixa visão. Isso dá mais autonomia para eles e incentivam os próprios deficientes a procurarem o braile, já que a informatização o distanciou do braile, que é a leitura escrita universal do deficiente visual”, completou.

Segundo Censo Demográfico do IBGE de 2010, em Niterói 1.448 pessoas são completamente cegas, 12.133 possuem uma deficiência com grande dificuldade de enxergar e 63.682 sentem alguma dificuldade.

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