Funcionários do Azevedo Lima fecham emergência em protesto

Quem chegou na manhã desta quarta-feira (20) na emergência do Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no Fonseca, se deparou com uma enfermeira dizendo que só os casos mais graves seriam atendidos e indicando para que procurassem outras unidades médicas. Apenas pessoas com risco de morte ou que tivessem sido levadas pelos bombeiros estavam sendo atendidas no setor. A paralisação se dá por conta dos atrasos dos pagamentos que, segundo funcionários, já chega a quatro meses. O atendimento na emergência só foi normalizado no início da tarde.

Na última semana A TRIBUNA noticiou denúncias de suposta coação envolvendo a direção da Organização Social que administra a unidade de saúde e os funcionários, que estariam sendo ameaçados de demissão por justa causa caso realizassem protestos e paralisações.

“Estamos há quatro meses sem receber e o décimo terceiro não tem nem previsão. Como que trabalhamos assim?”, comentou um funcionário que preferiu não se identificar. “Estamos sem ar condicionado no repouso da enfermagem há três meses. Já pedimos o reparo e eles alegam não ter dinheiro. O quarto para descanso de três horas que temos direito é num lugar insalubre”, denunciou outro funcionário que preferiu o anonimato.

O atendimento foi normalizado após a visita de uma representante da Secretaria de Estado de Saúde, que informou que a seletividade na escolha dos pacientes era inconstitucional. Houve ainda uma reunião entre os funcionários para discutir a questão. “A OS responsável pelo hospital, o Instituto Sócrates Guanaes, da Bahia, também não depositou o FGTS. Esperamos ainda receber a última parcela do 13º salário de 2016 e o de 2017. A empresa alega que não recebeu repasse do Estado”, denunciou um médico.

O presidente do Sindicato Estadual dos Médicos, Clóvis Cavalcante, esteve no local durante a paralisação e constatou vários problemas. “Faltam medicamentos e diversos equipamentos. Além disso, o tomógrafo está quebrado”, citou.

Uma mãe, por pouco não precisou levar seu filho atropelado para outra unidade. “Eles só atenderam porque os bombeiros que trouxeram. Já era para ele ter alta, mas por conta dessas conversas de paralisação meu filho ainda está lá dentro”, contou a mulher que também não quis se identificar.

Procurada, a Secretaria de Estado de Saúde informou que, segundo a direção do hospital, o funcionamento está normal.

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