Setor imobiliário resiste as negociações na internet

Não é novidade que a tecnologia tem ajudado a resolver questões que antigamente só poderiam ser feitas pessoalmente como, por exemplo, um delivery de comida ou um pagamento online. Mas ainda existem setores que resistem para esse avanço tecnológico, como acontece com o setor imobiliário. Dados da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi) apontam a facilidade da internet em aproximar compradores e clientes, porém as transações ainda precisam do intermédio de um especialista no assunto.

O presidente da Abadi, Carlos Samuel de Oliveira Freitas, explicou que de modo geral os aplicativos vieram para facilitar a vida dos dois lados. “Obviamente isso tira uma boa demanda da operadora, mas isso não é tudo. É preciso ter o conhecimento do profissional para que possa facilitar essas negociações pessoalmente. A intermediação existe e continua existindo por ter a necessidade do conhecimento técnico. A desconfiança do cliente pelo alto valor de investimento faz com que a pessoa tenha cautela”, comentou.

O diretor da Accioly Group, Rafael Hammes, concorda com essa facilidade da internet, mas não percebe uma queda nas negociações por conta da internet. “Acredito que as pessoas pesquisam na internet e usam essa ferramenta para aproximar o tratado de compra e venda, mas o corretor ainda é fundamental para o sucesso. Comprar e vender um imóvel não se resume a entregar o dinheiro e pegar o imóvel, existem uma série de documentações necessárias para tudo ser feito dentro da lei”, explicou. Rafael comentou ainda que teve que trabalhar a favor da internet. “Hoje em dia eu pago sites de pesquisas de imóveis para ter contato com esses futuros clientes. É uma tendência, mas não exclui o papel do corretor”, completou.

Já o diretor do Creci-RJ, Laudimiro Cavalcanti, acredita que esta ferramenta pode ser insegura, já que o corretor é especialista no assunto e pode assessorar bem o cliente.

“É importante sempre atuar para garantir a segurança dos clientes. E este tipo de negociação pode prejudicar o segmento imobiliário e os possíveis compradores. Trata-se de uma concorrência desleal. É necessário atuar para que tenhamos um mercado sólido. Esse tipo de negócio pode até ser comum em outros países, mas aqui no Brasil não é. O corretor de imóveis tem a expertise e habilitação legal para realizar a intermediação imobiliária, assessorando o cliente do início até a concretização da transação”, diretor do Creci-RJ.

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