Preço dos alimentos caem, mas não agrada consumidores

Pedro Conforte

Mesmo os alimentos e as bebidas tendo apresentado queda nos preços em julho, muitos consumidores acham que o valor tem aumentado cada dia mais. A queda foi discreta, de 0,12%, mas o grupo de despesas, que havia apresentado alta de preços de 2,03% no mês anterior, foi um dos principais responsáveis pelo recuo da taxa oficial de inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho para julho.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre os produtos com queda de preços, destacam-se a cebola (-33,5%), batata-inglesa (-28,14%), tomate (-27,65%), frutas (-5,55%) e carnes (-1,27%). Por conta dos alimentos, o IPCA, que é considerado pelo governo federal a inflação oficial do país, recuou de 1,26% em junho para 0,33% em julho.

“Em junho muitos desses produtos ficaram escassos ou até com preços muito elevados em junho por conta da greve dos caminhoneiros. Realmente mês passado o preço diminuiu, mas isso não quer dizer que o valor seja bom para o bolso dos trabalhadores”, contou a dona de casa, Amanda Oliveira, de 42 anos.

Sobre a greve, o gerente da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, esclarece que apenas em agosto os números poderão ser analisados mais friamente por conta da greve.

“Em agosto podemos ter um retrato melhor dos impactos da greve dos caminhoneiros, mas aparentemente os reflexos foram pontuais no mês de junho”, pontuou.

Para o comerciante Pedro da Silva, de 34 anos, os valores têm variado não mês a mês, mas sim toda semana.

“Antes eu fazia compras mensais, mas hoje em dia, procuro comprar nas promoções dos supermercados. Uma semana compro produtos de limpeza, no seguinte carne e por aí vai, só aproveitando essas promoções e pesquisando bem, não fica caro”.

Apesar da queda média dos alimentos, a alimentação fora de casa passou a custar 0,72% em julho. “Isso se explica pelas férias, que aumentam a demanda por esse tipo de consumo, e pela Copa do Mundo, quando tradicionalmente as pessoas se reúnem fora de casa, em bares e restaurantes, pra assistir os jogos”, esclareceu o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves.

Outro grupo que teve deflação em julho foi vestuário (-0,6%), movimento provocado pelas quedas de preços nas roupas masculinas (-0,94%), nas femininas (-0,87%), nas infantis (-0,91%) e nos calçados (-0,44%).

Os transportes também colaboraram para o recuo. Apesar de continuarem registrando inflação em julho (0,49%), a taxa foi bem menor do que a observada em junho (1,58%). O mesmo aconteceu com habitação, cuja taxa de inflação recuou de 2,48% em junho para 1,54% no mês seguinte.

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