População aponta saúde, educação e segurança como prioridades

Um estudo da Firjan, divulgado ontem, mostrou que 60% da população do Estado está pessimista em relação ao futuro do Rio de Janeiro. O levantamento teve por objetivo identificar as prioridades da sociedade em relação ao orçamento do governo estadual. Saúde, Educação e Segurança Pública são as prioridades para os fluminenses. A realidade é um pouco diferente, a maior parte das verbas estaduais foi destinada ao custeio da Previdência e da máquina pública: 37,4% e 24,95%, respectivamente.

A pesquisa, encomendada pela Firjan ao Ibope Inteligência, mostrou que juntas, Saúde, Educação, Segurança Pública, Geração de Emprego e Renda, Saneamento e Transportes receberam apenas 36,7% do orçamento estadual em 2017. “Fica claro que existe um descasamento brutal entre as prioridades de alocação de recursos do estado em relação às necessidades da população”, afirmou o presidente da Firjan, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira.

“Num ambiente em que a crise fiscal impõe dificuldades para a gestão do orçamento, a priorização alinhada com os anseios da sociedade precisa ser o objetivo do novo governo”, apontou Jonathas Goulart, coordenador de Estudos Econômicos da Federação.
O levantamento com a população fluminense foi feito no mês de junho. Houve 1.204 entrevistas presenciais e domiciliares, com pessoas de idade superior a 18 anos, em 37 municípios.

Saúde
Os estudos apontam que nove entre 10 entrevistados destinariam a maior parcela do orçamento do estado à Saúde Pública, porém o setor recebeu apenas 9,2% das verbas, em 2017. Para metade das pessoas ouvidas, o governo deveria deixar de gastar com a máquina pública. Mas a realidade é bem diferente.

O estado descumpriu o mínimo estabelecido na Constituição para a Saúde e ultrapassou os limites legais para endividamento e despesas com pessoal, sendo que 67% dos entrevistados são usuários do sistema público de saúde. De acordo com a pesquisa, houve uma redução de 97% em investimentos na área de saúde entre 2014 e 2017.

Educação
Outro dado em destaque é que o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) ficou abaixo da meta estabelecida para 2017 e retrocedeu a níveis próximos ao de 2011. Além disso, outras despesas encolheram de tamanho, como o Bilhete Único, que de 2014 a 2017 sofreu um corte de 38%; e os investimentos na Uerj, que reduziram em 46%.

Segundo Eduardo Eugenio, os estudos da Federação têm entre seus objetivos pautar a discussão do problema no momento em que se aproxima o segundo turno das eleições para o governo do Rio de Janeiro. “A luz vermelha foi acesa. A sociedade precisa entender o que é preciso ser levado em consideração. E os candidatos precisam focar nisso e explicar como utilizarão os recursos”, afirma.

Segurança
A pesquisa mostrou que em 2014, apenas 1,97% do investimento foi destinado a segurança, pode parecer pouco, mas este investimento diminuiu ainda mais em 2017, chegando a apenas 0,43%. De acordo com a Firjan, neste ano foram gastos R$ 2.469 com subfundações que engloba a Inteligência e informática pontos destacados pelos candidatos ao Palácio Guanabara. Além disso, apenas 0,2% desse orçamento foi designado ao programa de gestão operacional da Polícia (como manutenção de viaturas, por exemplo).

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