Pernilongo pode transmitir Zika

Geovanne Mendes –

Por essa ninguém esperava, o genoma do vírus Zika, coletado no organismo de mosquitos do gênero Culex, foi sequenciado por cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco. Com o sequenciamento, foi descoberto que o vírus consegue alcançar a glândula salivar do animal, o que indicaria, segundo a instituição, que o pernilongo pode ser um dos transmissores do vírus Zika. Para quem não sabe, o mosquito é sim um animal e considerado por cientistas o mais mortífero que existe.

Os resultados foram publicados ontem na revista Emerging microbes & infections, do grupo Nature. O artigo é intitulado “Zika virus replication in the mosquito Culex quinquefasciatus in Brazil” e pode ser encontrado na íntegra na internet.

Os mosquitos do gênero Culex foram colhidos na Região Metropolitana do Recife, já infectados. A equipe do Departamento de Entomologia da instituição conseguiu, então, comprovar em laboratório que o vírus consegue se replicar dentro do mosquito e chegar até a glândula salivar. Foi fotografado por microscopia eletrônica, também pela primeira vez, a formação de partículas virais do Zika na glândula do inseto.

Também foi comprovada a presença de partículas do vírus na saliva expelida do Culex, coletadas pelos cientistas. De acordo com a Fiocruz, o artigo “demonstra” a possibilidade de transmissão do vírus Zika por meio do pernilongo na cidade. Será analisado agora “o conjunto de suas características fisiológicas e comportamentais, no ambiente natural, para entender o papel e a importância dessa espécie na transmissão do vírus Zika”, como informou a instituição em seu comunicado.

O genoma do zika já havia sido sequenciado em 2016 pelo Departamento de Virologia e Terapia Experimental da Fiocruz Pernambuco, em parceria com pesquisadores da Universidade de Glasgow, mas na ocasião foi usada uma amostra humana. Esse sequenciamento é uma espécie de mapa de cada gene que forma o DNA do vírus. Agora, pela primeira vez no mundo, o mapeamento é feito a partir do mosquito.

Números
De acordo com a Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Secretaria de Estado de Saúde, no período de 1º de janeiro a 1º de agosto foram notificados 8.275 casos suspeitos de dengue no estado, 3.110 de chikungunya e 2.218 de zika.
Em Niterói, a cidade registrou até 20 de julho 618 casos de dengue e teve confirmados 65 casos de chikungunya. O município não apresentou nenhum caso de zika.

Dezinho, o novo herói contra Aedes aegypti
Dezinho é uma criança normal, que vive com a família, vai à escola e brinca. Mas quando o alarme do seu relógio toca, o garoto veste uma capa e se transforma num super-herói, que tem a missão de derrotar um vilão pequeno no tamanho, mas enorme no perigo: o Aedes aegypti. Criado pela Secretaria de Estado de Saúde, o personagem Dezinho é a grande novidade da campanha de 2017 contra o mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. A ideia é mobilizar as crianças para que elas sejam os grandes protagonistas do combate às três doenças.

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