Perigo às margens das rodovias alarma população

Geovanne Mendes –

Um acidente na semana passada levantou uma discussão: a segurança de quem caminha pelos acostamentos ou em paralelo às rodovias federais e estaduais que cortam as cidades da região. No último domingo (16), o professor de História Alexandre Mendes de Vasconcelos, de 40 anos, foi atropelado enquanto fazia uma caminhada na RJ-106, no Arsenal, em São Gonçalo. Segundo relatos dos filhos, um carro desgovernado ultrapassou um ônibus e atingiu o professor, que não resistiu e morreu na hora.

“Meu pai tinha esse hábito de correr às margens da RJ-106. A gente ficava preocupado, mas ele dizia que era a única opção segura para se exercitar, já que, segundo ele, correr pelas ruas do bairro se tornava perigoso, já que os casos de assaltos a pedestres são comuns na localidade”, desabafou Alexandre Vasconcelos, filho mais velho do professor, durante o velório do pai na última terça-feira (18).

Diariamente os flagrantes de pessoas caminhando às margens das rodovias se repetem e a sensação de risco é eminente. Moradores são vistos correndo, caminhando ou até mesmo parados esperando ônibus e vans.

Mãe do pequeno Alan, de 4 anos, Larissa Soares, de 19, caminha todos os dias com o filho às margens da RJ-104, em Tribobó, São Gonçalo. O trajeto é feito pela manhã quando vai levá-lo à cheche e também no fim da tarde quando chega a hora de buscar o filho. Consciente do perigo que corre ao passar por ali, ela garante que ficaria mais tranquila se houvesse uma pista lateral com proteção e conta as vezes em que já se assustou com os veículos que passavam em alta velocidade perto dela e do seu filho.

“Isso aqui é muito perigoso. O meu filho fica em uma creche próxima daqui e várias vezes me assustei com carros que passam tirando um fino da gente. O Governo do Estado e a Prefeitura de São Gonçalo tinham a obrigação moral de nos ajudar. Já ouvi relatos de mães e filhos sobre pessoas que foram atropeladas e mortas neste exato local”, comenta assustada.

“Eu moro aqui perto, às vezes venho correr por aqui, sei do perigo, mas infelizmente não temos onde nos exercitar e só nos resta correr este risco. Além disso, eu tenho que pegar todos os dias os meus filhos na escola, não deixo a mãe pegar porque tenho medo de algo acontecer. Se for para acontecer algo que seja comigo”, conta emocionado o militar aposentado, Roberto Antônio dos Santos, de 60 anos, pai de quatro crianças que estudam em uma escola próxima às margens da rodovia.

A RJ-106 é uma rodovia estadual com cerca de 200 quilômetros de extensão, liga a RJ-104, na altura do município de São Gonçalo, à BR-101, altura do município de Macaé, no norte do estado.

Os 30 quilômetros iniciais da rodovia, entre Tribobó e Maricá, foram duplicados nos anos de 2005 e 2006. Em nota, a Prefeitura de São Gonçalo disse que, apesar do problema ser de responsabilidade do Governo do Estado, irá cobrar soluções ao órgão competente para que casos como esse não se repitam. A Prefeitura de Maricá também informou que a responsabilidade pelas rodovias é do Departamento de Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro (DER-RJ).

Já o DER não respondeu às demandas. Um funcionário do órgão, que não quis se identificar, disse que o departamento está sem internet e que os funcionários estão sendo dispensados mais cedo, devido à crise financeira do Estado.

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