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Atestado do IML registra a morte de bebê por meningite

Publicado em: 15/05/2010

Texto: Pamela Araujo/Rosana Melo

O atestado de óbito, emitido pelo IML (Instituto Médico Legal) de Itaboraí, confirmou a causa da morte do bebê de seis meses, Weslen Guilherme da Silva, que faleceu na manhã de quarta-feira no Hospital Municipal Conde Modesto Leal, em Maricá, devido a complicações de uma meningoencefalite, termo utilizado para caracterizar não apenas a inflamação das meninges (meningite), mas também do cérebro (encéfalo). A suspeita de negligência médica, portanto, recai sobre o hospital, que não fez o exame para detecção dessa doença infecciosa, tratando o caso apenas como uma infecção respiratória aguda, mas sem gravidade. O erro de diagnóstico pela unidade, que funcionava em regime de paralisação, pode, então, ter contribuído para o óbito.
Ontem, Ueliton Pereira Caetano, 27 anos, e Taís Ribeiro da Silva, 18 anos, puderam finalmente enterrar o corpo do filho, após terem esbarrado na burocracia e falta de assistência, principalmente por parte do hospital de Maricá. Segundo Ueliton, uma assistente social da unidade de saúde teria lhe dito que nada poderia fazer quando ele solicitou orientação sobre como proceder, já que o filho, que nasceu no dia 13 de outubro do ano passado em um hospital de Mesquita, na Baixada Fluminense, ainda não tinha certidão de nascimento, e consequentemente não poderia ter emitida sua certidão de óbito.
Por fim, o primeiro documento foi obtido por volta das 15h50 de quinta-feira no Cartório do 1° Distrito de Registro Civil de Maricá (RCPN), localizado em frente àquele hospital municipal, mas devido ao horário (o IML de Itaboraí encerra o atendimento às 16h), a família ficou mais um dia sem poder enterrar o corpo de Weslen.
Apenas ontem, dois dias após o falecimento da criança, a família procedeu, logo pela manhã, ao Instituto e conseguiu o atestado de óbito e a liberação do corpo, podendo, a partir daí, marcar o sepultamento, que ocorreu por volta das 16h30.
Participaram do sepultamento apenas familiares, todos muito comovidos e inconformados com a tragédia. Chorando muito, os pais se despediram de Weslen. Taís questionava a morte do filho: “Porque não eu, meu Deus?”, ela indagava naquele momento de dor.

Secretária aguarda
o laudo da necropsia

A secretária municipal de Saúde, Thereza Varella, disse que está aguardando o resultado oficial do laudo da necropsia de Weslen Guilherme da Silva, para saber quais medidas serão tomadas. “Há uma suspeita de que seja meningite, mas só vamos tomar uma atitude quando vier o laudo e saber que tipo de meningite, porque cada uma tem um determinado tratamento”, explicou.
De acordo com dados da secretaria de Saúde, de janeiro a abril de 2010 foram registradas 141 óbitos no Hospital Conde Modesto Leal. A estatística lista várias faixas etárias.

Sindicato dos Médicos pede
providências à Prefeitura

Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos de Niterói e região, Clóvis Cavalcante, até o ano passado os médicos eram contratados através de uma cooperativa. “Apesar da irregularidade, eles vinham recebendo corretamente”. A partir da posse do prefeito Washington Quaquá, ele foram contratados diretamente pela prefeito, o que segundo o médico, também é ilegal, porque o município não pode contratar por CLT, e o fato foi comunicado ao Ministério Público. “A prefeitura pediu a carteira profissional dos médicos e não devolveu para ninguém. Ou seja, ninguém sabe para quem está trabalhando. Não tem contrato formal e nem carteira assinada. Os médicos estão revoltados e resolveram fazer triagem no atendimento por conta própria, lamentavelmente mais uma vez o povo é quem paga”.
Ele enviou nesta sexta-feira, um ofício ao prefeito e a secretária de Saúde pedindo o pagamento dos médicos e o aparelhamento e condições de trabalho para o hospital.
A Prefeitura de Maricá informou que o contrato dos médicos está em processo de renovação, por isso, foi solicitada a documentação. Este processo, segundo a prefeitura, deve ser finalizado nas próximas semanas. O município ressalta que os profissionais estão trabalhando dentro das normas estabelecidas pelo contrato e por isso não estão desamparados pela legislação.
Os médicos efetivos receberam o pagamento referente ao mês de abril, no dia 30 do mesmo mês, enquanto os contratados receberão até o próximo dia 20, informou a prefeitura.
A administração municipal paga ao médico plantonista o salário mensal de R$ 2 mil reais, Os plantões no hospital são de 12h semanais. No caso do médicos que fazem plantão de 24 horas o valor é o dobro (R$ 4 mil).


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