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Preso suspeito de 12 homicídios em Ititioca

Preso suspeito de 12 homicídios em Ititioca Publicado em: 06/05/2010

Texto: Augusto Aguiar
Foto: Bruno Eduardo Alves

Mais de 12 homicídios, ocorridos entre o fim de 2009 e o primeiro trimestre deste ano, no conjunto de comunidades que compõem o Complexo da Ititioca, estão cada vez mais próximos da elucidação com a prisão no fim da noite de terça-feira, dia 4, de Ranze de Lima Oliveira, 21 anos, o “Gordo” ou “Ranze”, apontado como líder do tráfico no Morro da Igrejinha. Ele foi preso durante uma ação rápida de PMs do 12º BPM (Niterói), lotados no Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) da Engenhoca, na comunidade da Grota do Surucucu, em São Francisco, Zona Sul de Niterói.
Junto com “Ranze”, também foram presos Fabiano Teixeira de Araújo, 18, o “FB”, Ubirajara Manhães da Silva, 28, o “Bira”, e David Nazareno Correa da Silva, 31. Com eles, foram apreendidos 1637 papelotes de cocaína, 381 pedras de crack, 168 trouxinhas de maconha e duas pistolas, uma calibre 380 com sete munições e outra calibre 45. Sobre esta última arma, a polícia acredita que tenha sido usada contra, pelo menos, três das vítimas torturadas e executadas recentemente em crimes atribuídos à disputa pelo controle dos pontos de venda de entorpecentes na região. A apuração dos assassinatos ocorridos no Complexo da Ititioca estão a cargo da 78ª DP (Fonseca) e 79ª DP (Jurujuba).
Fontes policiais confidenciaram que, além do controle do tráfico em várias localidades do Complexo da Itotioca, Ranze também estaria abrigando criminosos que estão fugindo da forte repressão no município do Rio e das implantações das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em várias comunidades. Junto com esses criminosos vindos do “outro lado da Baía de Guanabara”, todos ligados à facção criminosa Comando Vermelho (CV), também viriam armas com grande poder de destruição, como fuzis e granadas, além de drogas que encontrariam na Zona Sul de Niterói uma alternativa de escoamento.
Alguns investigadores acreditam que Ranze, junto com o outro traficante igualmente perigoso, Luiz Carvalho de Souza, o “Luiz Cicatriz” - preso no mês de abril por agentes da Polícia Civil na Zona Norte do Rio - podem estar por trás dos assassinatos do eletricista Djalma da Conceição, 46 , e seus dois filhos, Rodrigo Caetano da Conceição, 23, e Robson Leonardo Caetano da Conceição, 19, no dia 16 de novembro do ano passado, dentro de uma residência, na Estrada do Poço Largo, Ititioca. Mesma localidade onde também foram torturados e mortos, nos dias 24 e 25 de fevereiro Daniele Ferreira Basílio, 24, e Bruno Marcílio, 25. No dia 2 de março, ocorreu mais um crime que teria sido atribuído aos acusados: o do segurança patrimonial Carlos Henrique Costa, 42, encontrado morto a tiros na entrada da comunidade do Atalaia, também no Complexo.
Nessas execuções, os investigadores apuraram detalhes em comum, segundo os quais as vitimas foram amordaçadas, tiveram as mãos e pés amarrados e foram executadas, sobretudo, com tiros na cabeça. Entre os calibre utilizados, estava o de uma pistola calibre 45 (mesmo tipo apreendida na noite desta terça-feira).
Na ocasião dos crimes, policiais encontraram próximo aos corpos uma munição (não deflagrada) do mesmo calibre, o que levou à conclusão que a arma utilizada estaria com defeito no mecanismo de disparo (um tiro era disparado e, logo a seguir, uma munição não utilizada era eliminada da pistola). Esse fato levou os policiais a encaminharem a pistola apreendida na Grota do Surucucu para análise no Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), além de requisitar exames de confronto balístico. Se o defeito for constatado, a polícia acredita que também terá encontrado o assassino (ou assassinos) de parte das vítimas no Complexo da Ititioca.



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