Em sua terceira visita às Obras do Complexo Petroquímico do Estado do Rio (Comperj), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a afirmar que o Estado do Rio de Janeiro crescerá muito com a construção da refinaria e os 11 prefeitos do Consórcio Intermunicipal Conleste serão os mais beneficiados.
O Presidente visitou a obra, que está paralisada há duas semanas em função das chuvas, e garantiu que o governo está atento para investigar problemas ocorridos a partir de suspeitas de superfaturamento nas licitações do Comperj, o que já havia provocado outra paralisação e a demissão de funcionários do canteiro de obras.
“Eu vim aqui por que o olho do dono é que engorda o boi. E se há um mês atrás eu não estivesse atento, 27 mil trabalhadores estariam desempregados”, disse Lula.
O presidente confirmou que ele mesmo deu ordens para que a situação fosse investigada e revertida com a recontratação dos funcionários, e não poderia esperar o término das investigações para reinício da obra, senão mais de quatro mil chefes de família seriam demitidos.
O Presidente acompanhou a assinatura de quatro convênios pela Petrobras para a implantação do complexo petroquímico. Acompanhado de vários ministros, entre eles a da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do governador Sergio Cabral, o presidente Lula fez uma rápida vistoria no canteiro de obras. Após a visita, que não pode ser acompanhada pela imprensa, o presidente posou para fotos.
Cerca de três mil pessoas, segundo a Petrobras, aguardaram por quase três horas a chegada do presidente, que primeiro inaugurou uma obra no Complexo da Rocinha, no Rio de Janeiro. A maioria dos participantes do evento era das empresas de terraplanagem, topografia e funcionários da estatal, além de secretários e prefeitos de diversos municípios.
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, foi recebida pela platéia, já com ares de candidata a sucessora de Lula, sendo aplaudida e ovacionada pelo público, confirmando, pelo menos ali, que os últimos índices que apontam seus crescimento nas pesquisas, emparelhando com José Serra, se confirmam.
Durante todos os discursos, incluindo o do prefeito de Itaboraí, Sergio Soares, e dos Ministros das Cidades, Marcio Fortes, e da Industria Naval, Edson Lobão, o nome de Dilma foi reforçado várias vezes como pessoa forte e competente que está ao lado do presidente Lula, e responsável também pelos estudos que farão com que o Comperj seja um sucesso empreendedor para o estado e os municípios que serão beneficiados com o complexo. O próprio governador, citado várias vezes pelo presidente, também não poupou elogios à Ministra.
Convênios
O presidente Lula acompanhou a assinatura de quatro contratos para a construção das unidades de destilação atmosférica e a Vácuo e Hidrocraqueamento Catalítico do Complexo - um investimento de R$ 2,5 bilhões. Também foi firmado um convênio com a Cedae e um acordo de cooperação entre os ministérios das Cidades, de Minas e Energia, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Caixa Econômica Federal e a Petrobras.
Foi assinado ainda, com a Cedae, o aditivo contratual para a construção de adutora pela Petrobras, tendo como contrapartida o fornecimento de água tratada para as obras do complexo petroquímico.
O acordo de cooperação tem como objetivo viabilizar a atuação dos participantes de forma articulada para o planejamento, detalhamento e coordenação de ações e investimentos voltados à promoção do desenvolvimento, com a inclusão social e responsabilidade sócio-ambiental, no âmbito das administrações municipais do Consórcio Intermunicipal da Região Leste Fluminense (Conleste). O acordo prevê a viabilização de projetos de infra-estrutura urbana e social, saneamento, transporte educação e habitação.
Indústria naval
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que, há cinco anos, se dependesse da Petrobras, hoje não haveriam incentivos a pesquisas e não se chegaria ao pré-sal. Ele disse ainda, que antes todo o óleo diesel era muito poluente, e que hoje pesquisas estão mudando esse quadro, e citou o investimento de R$ 2 bilhões na Reduc para estudos nessa área.
Lula fez um balanço sobre a situação da Indústria Naval no Brasil em 1993, que de 50 mil metalúrgicos empregados caiu para 1.800. “Há anos que eu não via na porta de uma industria placa de precisa-se de empregados. Agora já vemos isso. Muitos empresários já haviam vendido máquinas e desistido, mas insisti e essa indústria agora renasce. Nossa indústria ganhou força com mais de 950 mil postos de trabalho e faremos mais 181 mil. Aumentamos em cinco vezes os investimentos da Petrobras para pesquisa. Não há como negar, o Brasil deu certo”, disse o presidente.
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, declarou que o Brasil, com a dimensão que tem, não poderia exportar óleo Bruto. “Exportar óleo bruto seria exportar emprego. Antes o Brasil pagava US$ 2 bilhões para construir uma plataforma que agora podemos produzir”, disse a ministra.
Palavra de Petrobras
Durante entrevista coletiva, o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa - substituindo o presidente da empresa, que está em viagem aos Estados Unidos -, disse que a estatal já incentivou o treinamento de mais de 4 mil empregados e, desses, 75% já estão colocados em empresas prestadoras de serviços para o Comperj. Todos eles são moradores dos 11 municípios integrantes do Conleste.
Paulo Roberto Costa se exaltou ao falar com a imprensa, criticando jornalistas por terem veiculado no final de semana a informação de que, pela terceira vez, as obras do complexo estavam paralisadas e que iriam atrasar.
“As obras vão atrasar sim porque a Petrobras decidiu fazer um novo planejamento para baratear custo. Revisamos todas as licitações e optamos por fazer o serviço com um preço justo e menor. Daqui a dois anos teremos um novo Estado do Rio. A Petrobras está trabalhando. Não podemos colocar máquinas pesadas em meio à lama, então não adianta cobrar. Os engenheiros não podem fazer isso. Assim que o solo secar realmente os empreiteiros voltam a trabalhar”, garantiu. A previsão é que, ao invés de 2012, o Complexo fique pronto em 2013.
Paulo explicou ainda que o papel da Petrobras não é fazer obras e serviços no lugar dos municípios, e sim dar um suporte para que os prefeitos possam conseguir verbas junto ao governo federal para se prepararem para receber o Comperj.
Ele lembrou que as quatro refinarias (Pernambuco, Ceará, Maranhão e Rio de Janeiro) que estão sendo construídas no país, ao contrário do que se imaginava, são uma realidade após 30 anos sem investimento nesse setor, e graças ao governo do presidente Lula, que incentivou as pesquisas para que as refinarias se tornassem uma realidade, inclusive a descoberta do pré-sal.