As obras de reestruturação do Centro de Niterói estão mexendo com a paciência dos pedestres, sobretudo dos moradores. A falta de faixas de pedestres na principal avenida do centro, a Feliciano Sodré, está complicando a vida dos moradores, incluindo idosos, crianças e cadeirantes. Na altura da Rodoviária Roberto Silveira, por exemplo, os veículos avançam sobre a antiga faixa e os pedestres têm dificuldade para atravessar a via. Na quinta-feira à tarde funcionários da Prefeitura quebraram parte do canteiro que divide as pistas da avenida, sinalizando que as faixas voltarão ao lugar de onde nunca deveriam ter saído, para a alegria dos que passam por ali cotidianamente.
Para a aposentada Neuci Mendonça, 79 anos, moradora da Avenida Feliciano Sodré, as obras executadas pela Prefeitura estão causando muito desconforto. "Está horrível. Sempre que preciso sair preciso da ajuda de outras pessoas para atravessar a rua. Os carros não nos respeitam e param de qualquer maneira, sem deixar espaço para as pessoas atravessarem. Eu tenho muito receio de atravessar sozinha e, mesmo sem querer, tenho que incomodar os outros", desabafou a aposentada.
Helena da Silva, 76 anos, também aposentada, moradora da Rua Silva Jardim, faz coro a Neuci Mendonça e reclama do transtorno provocado pelas obras. "Tudo bem que estejam preocupados em melhorar o Centro da cidade, ordenar melhor o trânsito e acabar com os engarrafamentos, mas precisam pensar nos pedestres. Todas as vezes que preciso sair é um inferno. Não temos mais segurança porque as faixas de pedestres não existem mais", reclamou a moradora.
A falta de informação sobre o que está sendo executado está provocando uma série de indagações, como, o motivo do fechamento da Rua Visconde de Sepetiba e a abertura de outra via na Praça Renascença, entre outros. Os transeuntes ainda não identificaram a necessidade de algumas medidas e não conseguem visualizar como ficará a cidade após o término das obras, que foi novamente adiado.
A estudante Helvira dos Santos, 19 anos, não entende porque tanto transtorno. Para ela, está muito difícil não chegar atrasada na escola. "Moro em São Gonçalo e estudo aqui em Niterói. Apesar de os engarrafamentos terem diminuído um pouco, ainda chego atrasada. Está muito confuso e o pior é que ainda não tem data para terminar", disse resignada.
A reestruturação do Centro é parte integrante das obras do corredor viário da Alameda São Boaventura, executada pela Prefeitura, através da Secretaria de Serviços Públicos, Trânsito e Transporte, em parceria com o Governo do Estado, orçada em R$ 6 milhões. Ainda sem data prevista para a conclusão, outra frente de obras promete: a duplicação da Rua Benjamin Constant. Decreto do prefeito Jorge Roberto Silveira desapropriou em caráter de urgência 25 imóveis, que começaram a ser demolidos e fazem parte do projeto de melhoria do trânsito da Zona Norte, de autoria de Jaime Lerner.
Esclarecimento
da Prefeitura
A Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Niterói informa que “decorrente do processo final das obras do corredor viário, o início da Rua Visconde de Sepetiba precisou ser momentaneamente fechada para melhor desenvolvimento dos trabalhos. A Avenida Feliciano Sodré contará com quatro faixas de rolamento no sentido Av. Visconde do Rio Branco, e duas – prioritárias para veículos pesados – no sentido Praça Renascença, sendo que os veículos leves e de passeio deverão utilizar a Rua Saldanha Marinho, já reestruturada. Pontos de ônibus serão, de acordo com cada necessidade, realocados. Quanto à sinalização, esta é a última etapa da obra, que será entregue ainda em março. A prefeitura entende que as obras no local são de extrema importância e, sabedora dos transtornos causados, pede a compreensão de todos durante o período de reparo”.