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A pílula, a mulher e a luta pelo mercado de trabalho

Publicado em: 06/03/2010

Texto: Liliandayse Marinho/Marlene Silvino
Foto: Roberth Trindade

Segunda é o Dia Internacional da Mulher. Mas o que significa comemorar esse dia no século XXI, quando as relações pessoais avançaram com a revolução tecnológica? Quando as feministas queimaram sutiãs em praça pública na década de 60, queriam mostrar para o mundo masculino que poderiam exercer na sociedade um papel que não era simplesmente o de mãe e mulher. Elas provaram que também podem ser independentes e progredir socialmente e profissionalmente disputando igualmente com o homem o mercado de trabalho, inclusive em profissões tidas como masculinas por excelência.
Livres e sabendo o que querem ganharam também na década de 60 uma grande aliada: a pílula anticoncepcional, que teve seu consumo aprovado nos Estados Unidos, irradiando-se pelo resto do mundo. Hoje, a pílula ocmpleta 50 anos de consumo pelas mulheres.
A psicóloga Soraya Cerqueira, coordenadora do Programa Saúde da Mulher, que funciona na Policlínica de Itaipu, é de opinião que “tanto a pílula como os outros médotos contraceptivos foram sim um marco para a liberdade feminina, mas desde que utilizados com cosnciência.”
Ano passado a policlínica atendeu 2.130 mulheres que participam do programa de planejamento familiar. Muitas estão em busca de contraceptivos ou para fazer os testes de gravidez exatamente por terem esquecido de tomar a pílula.
Na policlínica de Itaipu, a pílula é utilizada como uma das armas para o planejamento familiar e orientação para as mulheres e adolescentes. Apesar de tanta propagação, muitas mulheres ainda esquecem de utilizar o método e procuram a clínica assustadas com as possibilidades de uma gavidez indesejada. A orientação, segundo a psicóloga, principalmente quando se refere a adoslencentes de 15 a 21 anos, é que, além da pílula , elas usem a camisinha para a prevenção de doenças. No ano passado, 153 adolescentes procuraram o local para fazer testes de gravides: 29 estavam grávidas. Muitas haviam esquecido de tomar o contraceptivo. Por esse motivo a psicóloa explica que atualmente o governo vem dando preferência ao injetável que pode ser mensal ou trimestral.
A policlícina mantém a disposição das mulheres, de segunda a sexta-feira, as partir das 7 hora, assistentes socais e psicólogas que dão todo o tipo de orientação para a mulher.

A pílula
Essa combinação de estrogênio teve o uso aprovado inicialmente nos Estados Unidos em 1960.Depois da pílula, as mulheres ganharam ainda, aliados como Diu e Diafragma. Hoje elas são usadas ais de 100 mihões de mulheres em todo o mundo.
A síntese da Noretindrona, composto base do primeiro contraceptivo oral, foi realizada no dia 15 de outubro de 1951, pelo químico mexicano Luis E. Miramontes quando ele tinha somente 26 anos de idade. Miramontes recebeu a patente do composto junto com Carl Djerassi e Jorge Rosenkranz, da companhia química mexicana Syntex S.A.

O trabalho
A participação da mulher no mercado de trabalho brasileiro ampliou-se significativamente nas últimas décadas do século XX. Na década de 1990, essa tendência foi mantida e a mulher continuou ampliando sua participação, principalmente se a comparação é a evolução do emprego masculino. Enquanto a População Economicamente Ativa (PEA) feminina, nas seis regiões metropolitanas analisadas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) cresceu 19,6% entre 1991 e 1999; passando de 6,1 milhões para 7,3 milhões, o crescimento da PEA masculina foi muito menor, 7%, passando de 9,7 milhões para 10,4 milhões. Um aumento de 1,2 milhão de pessoas do sexo feminino e de 680 mil do sexo masculino.
Entre 2002 e 2008, 4.788.023 mulheres assumiram postos no mercado de trabalho formal em todo o Brasil. O volume, que equivale à soma das populações de Fortaleza (CE) e Belo Horizonte (MG) mostra que as empresas estão abrindo suas portas para a mão-de-obra feminina. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em 2002 havia 11.418.562 mulheres trabalhando formalmente no país; em 2008 o número chegou a 16.206.585, crescimento de 40,9% no período. Entre os homens, o crescimento foi de 34,5%: de 17.265.351 milhões em 2002 para 23.234.981 em 2008.

O exemplo da
mulher moderna

A perspectiva de uma vida melhor e a garantia de um bom futuro para os filhos fizeram a secretária Camila Araújo de Matos, 29 anos, moradora da Ponta da Areia, trocar de profissão. Há três meses ela frequenta o curso de soldadora da Promont, em Niterói, e pretende ingressar no mercado da Indústria Naval, aproveitando o bom momento do setor e o ingresso de mulheres em profissões que, há alguns anos, eram tidas como exclusivamente masculinas.
Camila é solteira, mãe de dois filhos, de 7 e 10 anos, mora com os pais e ajudava a família com o salário de secretária em um escritório de advocacia. “Desde que saí do último emprego, há quase um ano, percebi que insistir naquele caminho seria difícil. Minha renda mensal não passava dos R$ 700 e eu mal conseguia cobrir as despesas dos meus filhos. Fiquei sabendo do curso meio por acaso mas resolvi fazer, depois de um sondagem informal”, disse a soldadora.
Os salários pagos a estes profissionais, que variam de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil, motivaram ainda mais a ex-secretária, que tem se mostrado excelente aluna, segundo Amauri Alves, proprietário da Promont. “A mulher é mais observadora e detalhista que o homem. Por isso, em certas funções, elas são muito superiores aos homens”, derrete-se o instrutor do curso, que tem a duração de 120 horas/aula, de segunda a sexta-feira, de manhã, de tarde e à noite.
A meta de Camila é fazer outros cursos e se aperfeiçoar ainda mais na profissão que escolheu. A falta de experiência profissional não a intimida. Na segunda-feira, ela baterá na porta do Estaleiro Mauá, com a cara, a coragem e o batom, que não pode faltar na bolsa, em busca da primeira oportunidade.


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