Niterói vai assumir manutenção de 120 viaturas da PM

Wellington Serrano –

A segurança pública continua sendo uma prioridade da próxima gestão do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PV). Em entrevista, antes de viajar para Washington (Estados Unidos) em busca de investimentos para ampliar a macrodrenagem da bacia do Rio Icaraí, o prefeito falou sobre as obras que serão entregues ainda este ano e seus novos projetos para o município, abordando principalmente o tema da segurança.

Inicialmente, Rodrigo Neves fez uma análise do panorama de crise do Estado do Rio e no município de Niterói, que está se preparando para uma possível convulsão social, assim como aconteceu em Vitória, no Espirito Santo. “Estamos vivendo a pior crise da história do país, com uma recessão da economia que já dura três anos seguidos. No caso do Rio de Janeiro, essa crise é ainda mais grave porque o estado saiu de uma situação desorganizada para crítica, depois para dramática e agora está caótica nos últimos dois anos”, lamentou.

Rodrigo Neves ressalta que mesmo o estado em estado de caos não viu nenhuma medida estruturante ter sido adotada para apontar o caminho de superação. “Pelo contrário, a situação está se agravando. E na minha avaliação é que se o governo federal não adotar medidas concretas de apoio ao Rio nos próximos 30 dias nós vamos sair de uma situação caótica para anomia completa e convulsão social”, alertou o prefeito verde.

SEGURANÇA
Para dar conta da situação gravíssima que se encontram os municípios do entorno de Niterói, Rodrigo Neves disse que recebeu na última terça-feira (18) o comandante do 12º BPM, Marcio Rocha, para continuar com os investimentos na área de segurança.

Rodrigo Neves

“Fomos a única cidade que pagamos um auxílio emergencial de R$ 3.500 para 2.200 bombeiros, policiais civis e militares, por isso não tivemos a greve aqui somente no Rio. E além de todos os investimentos que fizemos, a prefeitura vai dar um novo suporte e assumir a manutenção e o combustível, através de mais R$ 6 milhões que estamos investindo na área”, disse o prefeito ao anunciar que vai pagar o Regime Adicional de Serviço (RAS) do Bope, do Batalhão de Choque e para a Companhia de Motocicletas.

“A prefeitura está assumindo uma atribuição que é do estado para que a cidade não sofra tanto as consequências da dramática crise e do caos do estado. O Rio de Janeiro é a porta de entrada do país e se não tiver um auxílio concreto, além do pacote de ajustes de recuperação fiscal, que é a moratória da dívida e um alívio de R$ 4 bilhões, vai ser prejudicado. Esse valor não tapa o buraco do déficit, que é de R$ 20 bilhões”, explicou.

Segundo o prefeito, o Rio já foi prejudicado quando o ICMS do Petróleo foi instituído no consumo e não na produção, com a Lei Kandir, que dá isenção do pagamento de ICMS sobre as exportações de produtos primários e semielaborados ou serviços e com a mudança da capital sem investimento e contrapartida. “O governo federal tem que olhar de maneira diferenciada para o estado sem prejuízos da responsabilização das pessoas que cometeram atos de corrupção sem prejuízos das medidas, que têm que ser adotadas de profunda reformulação da estrutura administrativa do Rio de Janeiro”, disse o prefeito.

“Por isso estamos fazendo cursos na guarda municipal. A violência é o principal problema hoje de Niterói. Não dá para fazermos tudo nem em oito anos de mandato, mas sei que fiz o que não foi feito em 30 anos. O orçamento é limitado, mas a segurança pública é minha prioridade, apesar de ser uma atribuição do governo do estado”, concluiu.

Rodrigo destaca que se for necessário vai fazer sacrifícios para prestar auxílio às forças policiais. “Porque não podemos deixar desamparados aqueles que têm a missão de proteger os cidadãos e a sociedade”, assegura o prefeito que com isso promete operações em conjunto das polícias com o custeio da prefeitura para não haver nenhum prejuízo nas ações de policiamento em Niterói.

Ele disse ainda que vai fazer o plebiscito para armar e transformar a guarda municipal numa polícia comunitária para fazer ação primaria e o provimento da segurança pública. “A guarda não vai substituir a Polícia Militar no enfrentamento ao tráfico de drogas e ao crime organizado, mas ela vai fazer o que a polícia deixou de fazer há algum tempo por estar dedicada às verdadeiras operações, muitas das vezes, de guerra e de conflito com o crime que hoje detém o poder bélico impressionante”, realçou.

O prefeito afirma que a polícia hoje parou de fazer o patrulhamento das ruas, dos parques e das áreas públicas porque, com poucos recursos que tem, foca no enfrentamento da criminalidade. “A guarda não vai substituir a PM neste enfrentamento, mas vai cooperar com as forças policiais nessa ação ostensiva de maneira mais efetiva, com armamento letal, e a partir de um treinamento, planejamento, acompanhamento psicológico e o convênio que fizemos com a Polícia Federal. O curso de formação teve início, com uma carga horária de 60 horas. Além disso, vamos concluir até junho a implantação dos portais nas entradas de Niterói, com câmeras que identificam as placas dos veículos”, afirmou.

Rodrigo disse que tudo isso não vai resolver os problemas da segurança de Niterói, mas vai minimizar os impactos da crise que é vivida na Região Metropolitana. “Niterói não é uma ilha neste contexto de caos na segurança pública, por isso digo que temos que ter prioridade e essa questão é hoje a minha prioridade número um”, realçou o verde.

Para finalizar, o prefeito Rodrigo Neves disse que aprovou, junto ao comandante do 12º BPM, o projeto sugerido por A TRIBUNA de policiamento com motos nas principais ruas de Icaraí. “Estamos protegendo a cidade desta situação do nosso entorno e do estado. Estou convicto que estamos no caminho certo com a integração das forças policiais, da cooperação para ações estratégicas baseadas na inteligência”, concluiu.

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