Movimento no Mercado de Peixe São Pedro caiu 80% com crise financeira

Raquel Morais –

Quem quiser inserir o peixe no cardápio mais vezes por semana poderá correr para o Mercado de Peixe São Pedro, na Ponta da Areia, nos próximos dias. O preço do pescado e do camarão teve queda de até 60%. Os descontos estão sendo oferecidos pela safra alta do peixe, que automaticamente diminui o valor de comercialização, na famosa escala oferta-procura. Por conta da crise o movimento no espaço, que é referência na venda de peixe em todo o estado do Rio de Janeiro, caiu 80%, segundo direção da unidade.

Dados do diretor da Associação dos Comerciantes e Amigos do Mercado de Peixe São Pedro, Atílio Guglielmo, apontam que a baixa no movimento no local se dá por dois fatores: é um alimento considerado supérfulo e crise econômica do Estado. O camarão que estava sendo vendido por R$ 50 o quilo agora está sendo vendido por R$ 20, uma queda de 60%. Peixes como corvina, que custava R$ 16 o quilo está sendo vendido por R$ 10, queda de 37,5%. A anchova, vendida por R$ 18 a mesma quantidade, pode ser comprada 33,33% mais barata, ou R$ 12 o quilo. Já o peixe mais nobre, como o linguado, que custava R$ 40 o quilo, está sendo vendido por R$ 32, desconto de 20%. “Os preços estão mais baixos e as pessoas consideram o peixe uma comida cara e extra, porém é o mais saudável para o organismo”, comentou.

Apesar da afirmativa a nutricionista da Policlínica Centrodador.com, em Jaqueline Mello, formada há 22 anos, explicou que o peixe fornece muitos nutrientes vitais para o organismo, principalmente o Ômega 3. “Ajuda a reduzir os riscos de doenças cardíacas e do Acidente Vascular Cerebral, previne depressão e diabetes tipo 1 além de proteger a visão de pessoas mais idosas. Também aumenta a imunidade, diminui o colesterol e ajuda no equilíbrio hormonal. O pescado deveria ser consumido três vezes por semana, ainda mais que é de fácil digestão”, enumerou.

Atílio contou também que a quantidade dos barcos registrados, que hoje estão em 104 unidades, teve uma queda de 42,22%, já que em 2007 eram 180 embarcações. “Esses barcos são considerados industriais. Isso por serem maiores e terem condições de ir mais para dentro do mar. Mas eles estão cada vez mais escassos e sem condições de navegabilidade como antigamente. Além disso a Baía de Guanabara não tem mais peixe como antes”, completou o diretor. O comerciante do box Bela Sereia, Joselito Silva, explicou que foi inevitável abaixar o preço dos peixes, mas na última sexta-feira, 11, o movimento no mercado melhorou um pouco para as compras do almoço do Dia dos Pais. A administradora Michele Rubim, 44 anos, foi uma dessas e ainda garantiu peixes para congelar. “Eu amo peixe e só não como mais por causa do preço. Vou aproveitar os descontos e levar para congelar”, finalizou.

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