Modric, da Croácia, é “o cara” da Copa da Rússia

A Croácia fez história nesta quarta-feira e garantiu uma vaga na final de uma Copa do Mundo pela primeira vez. A vitória na semifinal, porém, mais uma vez se deu de forma sofrida. Contra a Inglaterra, a equipe comandada por Dario Salic precisou novamente da prorrogação para avançar no Mundial da Rússia, assim como aconteceu nas oitavas de final, contra a Dinamarca, e nas quartas, contra a seleção anfitriã. Felicidade à parte, o técnico reconheceu o grande desgaste físico de seus jogadores e admitiu que precisará recuperar as energias de seu plantel para a decisão de domingo, contra a França, em Moscou.

“Isso é muito difícil (desgaste). Mas me parece que quanto mais difícil as circunstâncias, melhor nós jogamos futebol. Claro que a França tem um dia a mais, mas nós vamos descansar e nos recuperar a tempo. Não há desculpas, isso é uma final de Copa do Mundo. Temos que dar tudo, estar prontos, estar preparados. É a chance de uma vida. Tem sido difícil para nós, mas vamos achar a força e a motivação”, afirmou, em coletiva de imprensa concedida ontem.

Dalic, inclusive, deu folga aos atletas nesta quinta. Como o próprio comandante aponta, se contados os minutos jogados nas três prorrogações que a seleção croata jogou neste mata-mata, será a única a jogar oito jogos nesta Copa do Mundo. Diante disso, o treinador faz questão de elogiar o comprometimento e a entrega dos jogadores, que não desistiram da partida em nenhum momento e, mesmo desgastados, não queriam sair de campo diante da Inglaterra. Para ele, a experiência também foi um fator essencial para que a virada acontecesse na prorrogação.

“Ontem encontramos um time inglês muito rápido e jovem, mas nossos jogadores usaram a experiência. Temos jogadores que jogaram muitas finais de Liga dos Campeões, de campeonatos em seus países. Talvez jogadores jovens tenham mais ambição e sejam mais rápidos. Mas acho que essas coisas não fazem diferença neste final. Eu espero que eles reajam bem a certos momentos do jogo, mas não estou certo de que isso vai ser decisivo”, apontou.

Dalic também destacou um de seus atletas em específico: o craque do time, camisa 10 e capitão Luka Modric, cujas atuações em território russo vem atendendo às expectativas e tem comandado a Croácia nesta campanha histórica. Para o técnico, o meio-campista é “o cara” da competição.
“Cristiano Ronaldo, Neymar, Messi, era normal falar deles antes da Copa. Eles foram para casa, estão na praia. E outros ficaram no campeonato, especialmente Luka Modric. Ele dá piques no minuto 115, ele volta para a defesa, ele lidera a defesa. Ele é o homem do torneio, não importa quem fique com o troféu”, certificou. “É um dos melhores meias do mundo, cobre muito espaço do campo, passa segurança a quem joga com ele. É o mesmo com Kanté e a França. Se ele joga bem, a França joga bem. Eu ficaria feliz ele fosse o melhor jogador do torneio, a Bola de Ouro. Ele já ganhou tudo com seu clube, mas há um armário para troféus com a seleção e seria bom para ele e para nós se ele ganhasse a Bola de Ouro. Ele merece”, completou.

O comandante croata também falou a respeito da surpreendente campanha de sua seleção, que até antes do Mundial não estava nem perto de ser cotada como possível finalista, muito menos como candidata ao título. Segundo o treinador, que comparou a campanha atual de sua equipe com a de 1998, quando a Croácia atingiu seu patamar mais alto em Copas ao chegar à semifinal, trata-se de um milagre.

“Nós somos o menor país desde o Uruguai a chegar na final. E quando olhamos a condição, a infraestrutura que temos em casa, é um milagre. Em três meses vamos jogar contra a Inglaterra pela Liga das Nações da Europa e não temos um estádio apropriado para jogar. Somos um milagre. Talvez um dos grandes feitos esportivos da Croácia. Temos outros esportes. Estou muito orgulhoso de que sob meu comando o futebol croata atingiu este objetivo. O resultado de 1998… aquele era um país jovem, agora é outro tipo de futebol. Estamos felizes de estar aqui na final”, frisou.
O adversário daquela semifinal, por sinal, era o mesmo do próximo domingo: a França, que naquela ocasião venceu por 2 a 0 e avançou à final para, na sequência, conquistar seu primeiro título de Copa do Mundo. Dalic, por fim, projetou o confronto decisivo, admitindo que, dadas as qualidades da equipe comandada por Didier Deschamps, este, com certeza, será o jogo mais difícil deste Mundial.

“Nós estamos jogando a final, os dois melhores times estão na final merecidamente. Vai ser um jogo diferente. Eles são muito diferentes no contra-ataque, em transição. Não vai ser fácil marcá-los, são um time muito rápido, particularmente Mbappé e Griezmann. Mas nossa União, nossa marcação, nossa rápida transição quando perdemos a bola, podem nos ajudar. Mas vai ser nosso jogo mais difícil”, reconheceu. “Deschamps tem continuidade, tem resultados, uma final de Euro, uma grande carreira como jogador. É um privilégio competir com ele na final da Copa, ver no outro lado alguém que foi um grande jogador e um grande treinador”, completou.

No Estádio Luzhniki, na capital Moscou, Croácia e França disputam a taça da Copa do Mundo da Rússia a partir das 15h (no horário de Brasília) do próximo domingo.

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