Medicamentos genéricos chegam a custar 440% mais barato

Raquel Morais –

A Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar), através do Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Continuada (Ifepec), divulgou uma pesquisa que aponta que 45% dos consumidores optam pelos medicamentos genéricos na hora das compras. Farmacêuticos explicam esse consumo e apontam a economia como facilitadora para o aumento das vendas desses medicamentos, que ultrapassam os 440% de diferença de preço, por exemplo.

A gerente da Farmácia do Trabalhador do Brasil, no Centro de Niterói, explicou que as vendas dos medicamentos genéricos e similares aumenta a cada dia.

“As pessoas estão procurando economia no final do mês, e acabam escolhendo ou os genéricos ou os similares”, comentou Luísa Santos.

A profissional também ressaltou os cinco medicamentos genéricos mais vendidos na unidade em que trabalha. São eles: Losartana Potássica de 50mg custa R$ 2,99, Hidroclorotiazida de 25mg custa R$ 2,99, Propranolol de 40mg é vendido por R$ 3,44, a Metformina de 500mg custa R$ 4,99 e a Dipirona Sódica é vendida por R$ 1,99.

Esses mesmos remédios, de outros laboratórios com nomes comerciais, apresentam diferença que chega aos 447,73%, como é o caso da Dipirona Sódica, ou Novalgina como é comercializada, que custa R$ 10,90. O Losartana, que tem nome comercial Corus, custa R$ 7,58, ou 153,51% mais caro do que o genérico. O Clorana, que tem princípio ativo da Hidroclorotiazida, é vendido por R$ 8,23, o que representa aumento de 175,25% a mais no preço do genérico. O Inderal (popular Propranolol) custa R$ 7,29 ou 111,91% mais caro e finalizando a lista o Glifage (Metformina) é vendido por 37,47% mais caro, ou R$ 6,86 a caixa.

“A diferença no final do mês é muito grande e para as pessoas que usam medicamentos contínuos, como é o meu caso, isso é uma ajuda muito grande. Eu tenho diabetes e tomo uma cartela de remédio já pensando na próxima. Com o desconto já sobra para outras contas e até mesmo uma alimentação melhor”, comentou a aposentada Denise Monteiro, de 76 anos.

A farmacêutica Michele Souza, de 28 anos, trabalha no Centro de Niterói há seis e explicou essa preferência.

“No início os clientes eram bem resistentes, mas hoje isso melhorou muito. As pessoas querem mais esclarecimentos e chamam o farmacêutico para saber sobre interações com outros medicamentos, por exemplo. A legislação diz que os remédios devem ter os mesmos princípios, mas a única mudança pode ser a qualidade do excipiente, um componente que entra junto com a medicação para dar formato ao comprimido”, explicou.

Segundo a Febrafar, 45% dos consumidores apontaram que adquiriram medicamentos predominantemente genérico, outros 55% compraram predominantemente os de marcas e 33% dos consumidores acabaram comprando produtos diferentes do objetivo inicial e metade desses clientes buscavam economia (50%).

“Os genéricos já venceram uma desconfiança inicial e natural que enfrentaram no mercado e hoje já fazem parte das opções de escolhas dos consumidores, eles possuem um grande potencial competitivo por causa da economia que ele proporciona, sendo que os preços são fundamentais na escolha. É importante reforçar, porém, que o cliente não está indo contra a indicação médica, mas sim buscando uma alternativa real, sendo que o genérico possui a mesma substância ativa, forma farmacêutica e dosagem que o medicamento de referência”, analisou Edison Tamascia, presidente da federação.

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