Mar para peixe, e não para plástico

Raquel Morais –

Estimativas da WWF-Brasil apontam que até 2050 haverá mais plástico do que peixe nos oceanos. No próximo dia 22, a organização vai promover um mutirão de limpeza na Praia de Charitas, em Niterói, intitulado ‘Oceano Sem Plástico’. A ação social, que vai acontecer das 8h às 13h, contará com voluntários que vão recolher microplásticos das areias, além de conversar com frequentadores da praia sobre a importância do descarte correto de qualquer lixo.

Segundo a organização, o evento contará com agentes especialistas nas áreas de Educação Ambiental e conservação marinha, que vão conversar com banhistas na busca de conscientizar a população sobre o problema do descarte incorreto do lixo no meio ambiente. Espera-se mobilizar centenas de pessoas, entre eles banhistas, catadores, barqueiros, agentes de saúde e estudantes. Os voluntários vão ser divididos em grupos, com coordenação de um profissional envolvido na ação, e cada um deles vai ser responsável por coletar um material específico. O objetivo é colher o máximo possível de microplásticos (embalagens, canudos, bitucas de cigarro, tampinhas de garrafa, etc) que, devido ao tamanho reduzido, se misturam à areia da praia mesmo após a limpeza promovida por órgãos públicos. Um lixo extremamente nocivo ao ambiente e difícil de se coletar. Qualquer pessoa pode participar, desde que realize a inscrição online.

A barista Vitória Andrade, de 29 anos, é um exemplo de pessoa preocupada com o meio ambiente. “Eu trago de casa uma sacola plástica para ir juntando o lixo na praia e depois jogar fora. Ainda pego o lixo dos outros quando vejo. Tenho preocupação com essa sujeira que fica na praia e acho que isso que faço não deveria ser enaltecido; é o mínimo que a pessoa tem a obrigação de fazer”, pontuou.

Já um niteroiense que não quis se identificar assumiu que não recolhe alguns lixos da praia. “Confesso que quando tomo um picolé dificilmente o palitinho eu jogo fora, acabo enterrando ele na areia. É algo muito errado, mas acabo fazendo sem pensar e quando vejo já fui embora da praia”, comentou, envergonhado.

Esse tipo de resíduo pode levar de 100 a 500 anos para se decompor, além de causar um impacto muito negativo quando chega ao mar. Muitos animais marinhos morrem engasgados com esse tipo de materiais, outros se embolam em plásticos e até mesmo têm problemas digestivos por essa ingestão inadequada. “O lixo afeta a fauna e o ambiente marinho como um todo. Tartarugas marinhas sofrem muito com esse descarte, além dos peixes e até as aves marinhas que engolem os materiais achando que são peixes e acabam acumulando lixo no estômago. A questão é a educação ambiental na população”, simplificou o biólogo Rafael Fernandes, 34 anos.

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