Incêndio na Prefeitura de São Gonçalo continua sem resposta

Marcelo Macedo Soares –

No dia 15 de setembro do ano passado, um incêndio de grandes proporções atingiu a sede administrativa da Prefeitura de São Gonçalo. O fogo destruiu documentos importantes das secretarias de Meio Ambiente, de Planejamento, Desenvolvimento Urbano e de Compras, além da Subsecretaria de Fiscalização e Posturas. Passado quase um ano, o episódio ainda continua um mistério para a população e até mesmo para a administração pública. As investigações correm em sigilo e até hoje ninguém foi responsabilizado e nem as causas divulgadas.

No dia 2 de outubro do ano passado, a Polícia Civil concluiu a perícia no local e enviou o laudo, cujo conteúdo não foi divulgado, à Promotoria de Tutela Coletiva de São Gonçalo, vinculada ao Ministério Público Estadual. Além dos documentos perdidos, o incêndio gerou também prejuízo aos cofres municipais. Por conta dos danos, a Prefeitura de São Gonçalo gastou mais de R$ 1 milhão com aluguel de geradores e imóveis para abrigar as pastas atingidas pelas chamas. Em abril deste ano, mais de seis meses depois do incêndio, a Prefeitura ainda não sabia quanto gastaria e que não tinha recursos para reformar as partes afetadas pelo incêndio.

A falta de respostas não aflige apenas os moradores de São Gonçalo. O vice-prefeito, Ricardo Pericar, também vê com muita desconfiança a falta de transparência e de informações sobre o episódio. Pericar, que rompeu com o prefeito José Luiz Nanci oficialmente este ano após uma série de divergências, diz que sequer pode chegar perto do local do incêndio.

“Tudo é muito estranho nessa história. Infelizmente estou incrédulo no que diz respeito às apurações sobre esse incêndio, no mínimo estranho. Sequer pude chegar perto do local na época, pois fui impedido por agentes da Guarda Municipal, que alegaram estar cumprindo ordens. Não acredito que tenha tido uma investigação isenta”, afirmou.

Os altos custos também chamaram a atenção do vice-prefeito na época, que chegou a questionar os gastos com geradores e locação de imóveis. Segundo ele, com muito menos seria possível ter reformado não só a parte atingida pelo fogo, como o prédio inteiro.

“A única movimentação por parte da Prefeitura nesse caso foi alugar geradores. A Prefeitura gastou mais de R$ 1 milhão com geradores. Com um terço disso eu reformaria o prédio inteiro”, argumentou.

A TRIBUNA entrou em contato com o Ministério Público estadual, com a assessoria da Polícia Civil e com a Prefeitura de São Gonçalo para saber sobre os desdobramentos das investigações, mas até o fechamento desta edição não obteve resposta.

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