Inadimplência em condomínios cresce 100% nos últimos anos

Raquel Morais –

Luz. Água. Telefone. Plano de saúde. Gás. Combustível. Esses são alguns exemplos de taxas que a maioria dos niteroienses costumam colocar no planejamento de gastos. Dentro dessas contas, a taxa de condomínio também é uma obrigatoriedade dos moradores, que todo mês contribui para a manutenção, pagamento de funcionários e contas do próprio espaço de convivência desses prédios. Mas e quando essa taxa é justamente “a escolhida” para ser paga depois? Dados de administradores de condomínio apontam que inadimplência saltou de 6% no primeiro trimestre de 2015 para 12% no mesmo período deste ano.

O problema é grave, mas a taxa de inadimplência continua preocupando os moradores e administradores desses espaços. Apesar do aumento nos últimos três anos, a situação já foi mais crítica. Em janeiro, a taxa de devedores chegou a 15% e caiu para 12% em março.

O empresário da Inovar Predial, no Centro de Niterói, Gustavo Maia, explicou que a taxa de inadimplência aumenta de acordo com os gastos, principalmente no final do ano e carnaval. “O condomínio precisa do dinheiro de imediato e quando tem moradores que estão em dívida é informado, em assembleia, que o valor para os outros moradores irá aumentar”, comentou.

O síndico profissional também ressaltou que, quando acontece de alguém não pagar, o condômino recebe uma notificação informando o primeiro mês de atraso e o síndico conversa com o morador. “Às vezes, em uma conversa, adiamos o vencimento e resolvemos a questão. Quando entra o terceiro mês, passamos para o advogado, que manda notificação extrajudicial e já cobra uma taxa do devedor de 10%. Se não tiver acordo com advogado vai para a justiça”, pontuou.

Já quando o assunto é comercial, a taxa de inadimplência cresce e chega a 18%. O porteiro do Edifício Albert Sabin, no Centro de Niterói, Carlos Camelo, de 45 anos, disse que não sabe a quantidade de devedores do prédio e que isso fica sob responsabilidade do administrador. “Só faço meu trabalho, olho as câmeras, distribuo as correspondências, dou informações e essa parte de cobrança fica com o escritório”, brincou.

Para reduzir os custos de condomínio, muitos prédios de Niterói resolveram adotar a portaria virtual, que consiste em dispensar os porteiros noturnos, o que já reduz o custo em 30%. Mas, para contratar o serviço é preciso a aprovação em assembleia com os moradores.

“Cada porteiro pode pegar simultaneamente três portarias e fazer o trabalho de um escritório. Tudo acontece normalmente como se ele estivesse no local, com acesso aos acionamentos de portões de entrada, garagem e atende interfones”, exemplificou.

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