Há 100 anos, sempre alertas em Niterói

Anderson Carvalho

Todos os sábados, das 15h às 18h, escoteiros do 49º Grupo Professor João Brazil se reúne no Horto do Fonseca, na Zona Norte de Niterói, para diversas atividades, que vão desde brincadeiras de antigamente, como cabo de guerra, a fazer nós, manusear uma bússola, fazer caminhadas, ações de preservação ambiental, entre outras. O grupo surgiu em 1925 e começou no antigo Colégio Brasil, no mesmo bairro. Este ano o escotismo comemora o seu centenário no município e está para ser tombado. Há dez grupos atuando na cidade. O lema do movimento é “Sempre alerta”, que significa estar sempre preparado, atento, física e mentalmente, para cumprir o dever para com Deus, a pátria e o próximo.

Alanis Oliveira, de 16 anos, que cursa o 2º ano do Colégio da PM, no Fonseca e moradora de do bairro Ponta da Areia, é escoteira desde 2014 no Grupo Professor João Brazil. Ela usa o que aprende no movimento no seu dia a dia. “Para mim, o escotismo é uma lição de vida. A gente usa os princípios aqui e no meio social. Principalmente por ser uma filosofia de vida. Ensinou-me a sempre ajudar o próximo, trabalhar em equipe, responsabilidade, organização e espírito de liderança”, contou a escoteira.

O seu colega Gabriel Marques, 14, está no grupo desde 2013. “Fazemos caminhadas e trilhas. No ano passado, fizemos a trilha da Floresta da Tijuca, no Rio e em 2015, a da Serra da Tiririca, em Niterói. Ser escoteiro é aprender sobre liderança, trabalhar em equipe e fraternidade”, contou o rapaz, que cursa o 9º ano em um colégio particular em São Gonçalo, onde mora. Foi levado ao grupo do Fonseca pelo pai, que fora escoteiro quando criança.
José Roberto Wagner Ferraz, de 8 anos, é um dos caçulas do grupo, ao qual está há um ano e meio. “A gente aprende a ter mais educação e disciplina”, citou.
Segundo o diretor técnico do grupo, Luiz Carlos Monteiro, os escoteiros podem galgar três níveis nas seguintes áreas: cultura, desportos, serviços, ciência e tecnologia e técnicas escoteiras. Quando dominam cada uma delas, ganha um escudo que é fixado na manga da camisa do uniforme. “Nos nossos encontros semanais promovemos atividades, como ensinar a usar a bússola, fazer e desfazer nós, acampar, caminhadas, exploração, trilhas e a preservação do meio ambiente. Além de jogos lúdicos, como de bolo com água, por exemplo. O escotismo é um complemento da educação dada em casa. Pode ser praticada por qualquer pessoa, dos 7 aos 77 anos”, explicou Monteiro, que é ainda coordenador geral dos Eventos do Centenário do Escotismo em Niterói. “Recentemente, o presidente da União dos Escoteiros do Brasil no Rio de Janeiro, Rubens Tadeu Perlingeiro, disse que o município é um dos principais centros do escotismo brasileiro”, acrescentou.

Pode se entrar no movimento como Lobinho (dos 7 aos 10 anos). O Ramo Escoteiro é dos 11 aos 14. O Sênior, dos 15 aos 17 e o Pioneiro, dos 18 aos 21. Após esta idade, qualquer pessoa pode ser escoteira como adulta voluntária, auxiliando os jovens na realização das tarefas ou como dirigente, realizando funções administrativas no grupo.

A história dos escoteiros em Niterói é marcada pela preservação ambiental e atuação em tragédias naturais. Em abril de 2010, após as chuvas que castigaram a cidade, os escoteiros se uniram aos bombeiros para ajudar no resgate de feridos e desabrigados no Morro do Bumba, no bairro do Viçoso Jardim. Arrecadaram ainda muitos mantimentos para os desabrigados. Em 2008, distribuíram panfletos e cartilhas de prevenção à dengue. Em 1996, junto com a Associação de Moradores da Ponta da Areia, plantaram mudas de árvores nativas de Mata Atlântica no Morro da Armação, terminando com os incêndios na área. Em 1961, participaram, como voluntários para o Hospital Antônio Pedro na ajuda aos feridos do incêndio do Gran Circus.

Há outros nove grupos escoteiros na cidade: GE do Gaviões do Mar, na Ilha da Boa Viagem; Benevenuto Cellini, no Jurujuba Iate Clube; São Francisco de Assis, em Pendotiba; Martim Afonso, no Ginásio Martins; Guardiões da Honra, em Itaipu; Imbuí, em Piratininga; Lourival Gomes de Andrade, Centro e Rei de Salém, Fonseca.

História
O movimento foi fundado em 17 de novembro de 1917 em Niterói com apoio dos poetas Olavo Bilac e Alberto Oliveira (um dos fundadores da Academia Fluminense de Letras). Foi no bairro da Engenhoca que surgiu o pioneiro Grupo de Escoteiros de Nictheroy, com dois chefes e nove jovens na idade de 10 a 17 anos. Bilac é o patrono do escotismo nacional.

No Brasil chegou em 1910, trazido por marinheiros e oficiais, que trouxeram uniformes escoteiros. No dia 14 de junho daquele ano numa casa no bairro carioca do Catumbi reuniram-se os primeiros escoteiros, que fundaram o Centro de Boys Scouts do Brasil.

O movimento foi fundado no mundo em 1907 pelo ex-general inglês Robert Baden-Powell, após ele afastar-se do Exército. Aproveitou técnicas que seriam úteis no desenvolvimento dos jovens para criar um movimento educacional.

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