Gastronomia: índice de empregabilidade chega a 98%

Raquel Morais –

Algumas escolas de gastronomia de Niterói estão na contramão da crise econômica e comemoram o número de alunos e de aproveitamento dos profissionais, até mesmo antes da formatura. Em alguns cursos, o índice de empregabilidade chega aos 98% e os futuros cozinheiros comemoram o bom momento. Mas apesar do otimismo, tem chef formado gastando sola de sapato, já que os baixos salários ainda são barreiras para a inserção no mercado de trabalho.

O coordenador da Escola Superior de Gastronomia da Universidade Cândido Mendes Niterói, chef Alexandre Gazé Filho, explicou que a cidade tem muitos tesouros descobertos ‘atrás do fogão’.

“A área está propícia para o investimento e o município é referência em alta gastronomia, além de ter muitos cursos. Somos procurados por muitos perfis diferentes, desde os cozinheiros amadores que aprendem tudo no curso, até grandes cozinheiros que querem um diploma”, comentou o chef que ressaltou que 50% dos alunos matriculados querem abrir o próprio restaurante.

Esse é o caso da estudante Letícia Guimarães, de 19 anos, que estudava Nutrição quando descobriu que estava no curso errado.

“Eu queria trabalhar diretamente com a comida e tranquei meu curso e me matriculei para ser chef de cozinha. É uma boa oportunidade e estudei o mercado antes de tomar essa atitude. O campo é muito grande e a minha ideia é uma especialização no exterior, voltar para Niterói e abrir o meu bistrô”, pontuou a moradora da Região Oceânica.

A Unilasalle, em Santa Rosa, também tem um curso através do projeto social Energia do Sabor e, de 100 alunos, 98 saem empregados. O curso incluiu aulas teóricas sobre mercado de trabalho, cardápio e precificação de produtos, totalizando um ano.

“Antes mesmo da formatura somos procurados por diversos restaurantes já interessados em contratar os alunos”, afirmou Vicente Maia, coordenador do curso na Unilasalle.

Já a chef Carol Kalil, de 36 anos, tem larga experiência na profissão e inclusive foi professora do Instituto Gastronômico das Américas (IGA), em Icaraí. Ela não está tão otimista com o mercado de trabalho no momento.

“Os restaurantes procuram mão de obra nos cursos da cidade, mas acaba que não querem pagar o valor de um profissional qualificado, então temos uma enxurrada de profissionais no mercado que não são valorizados como deveriam. Hoje eu não trabalho em restaurante, mas em eventos particulares, que é onde conseguimos um maior valor do nosso tempo de trabalho”, exemplificou.

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