DH busca imagens para esclarecer chacina em São Gonçalo

Raquel Morais

Agentes da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG) estiveram, nesta segunda-feira (13), em alguns estabelecimentos comerciais na Avenida Jornalista Roberto Marinho, conhecida como Avenida Maricá, em São Gonçalo. A especializada está em busca de imagens de câmeras de segurança que ajudem na investigação das execuções que chocaram o bairro Lindo Parque no último domingo, após um confronto entre criminosos e um grupo de amigos. O embate acabou na morte de quatro pessoas e dois homens feridos, sendo que um deles só se salvou depois de se fingir de morto no local do ataque.

Os amigos estavam em um aniversário, numa casa de festas, quando perceberam que um ‘arrastão’ estava sendo feito na proximidade, no Morro do Coió. Ao perceberem que a motocicleta de um deles tinha sido roubada, os amigos perseguiram os criminosos. Mas eles não contavam que os assaltantes teriam cobertura em outro veículo, uma Hylux preta, com criminosos usando máscaras e armados até com fuzil.

Na troca de tiros três homens morreram na hora: o sargento do 7º BPM, Luiz Alberto do Couto Novaes, de 40 anos; Everaldo da Silva e Jorge Barcelos da Silva, pai da aniversariante. Já Carlos Augusto Magalhães foi socorrido e levado para o Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade de saúde na manhã de ontem. Outros dois homens, não identificados, também foram feridos e levados ao Pronto Socorro Central de São Gonçalo (PSSG), no Centro. Um deles conseguiu escapar se fingindo de morto no local do ataque.

O delegado responsável pelo caso, Fábio Barucke, informou que a Hylux usada pelo bando era roubada. “Estamos correndo atrás de imagens para tentar outros esclarecimentos. Fizemos perícia da moto e vamos tentar encontrar esses autores, pelo menos para saber de qual comunidade eles são”, apontou. Os investigadores da especializada estiveram em uma outra casa de festas procurando câmeras de segurança. Um posto de combustível também foi algo dos agentes. No local do crime ainda foi possível registrar marcas de sangue e os cordões de isolamento. Comerciantes e pedestres que passavam pelo local não quiseram comentar o crime.

Policial é enterrado em São Gonçalo
Cerca de 500 pessoas foram até ao cemitério São Miguel, em São Gonçalo, se despedir do policial militar Luiz Alberto do Couto Neves. Amigos, familiares, companheiros de farda estavam presentes durante o enterro. Este foi o 24º caso de PM morto em 2017 no Rio. A família estava em estado de choque e o que se via era uma emoção coletiva. A cerimônia começou às 17 horas, uma bandeira do Brasil foi usada para cobrir o caixão e, em seguida, foi entregue para a família pelas mãos do comandante do 7º Batalhão da Polícia Militar, coronel Ruy França, no qual Luiz Alberto era lotado.

Enterro policial militar Luiz Alberto do Couto

“Ele era um excelente profissional e isso nos pegou de surpresa, mas já estamos seguindo linhas de investigação em colaboração com a Polícia Civil para identificarmos os autores desta atrocidade. Quero dizer aqui que a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro está em luto em apoio à família de todos os mortos deste cruel caso de homicídio”, comentou França.

“Ele era um grande amigo, um sargento exemplar e que sempre lutava por justiça, por uma sociedade livre de marginais, estamos todos de luto”, disse um policial que não quis ser identificado.

Além do sargento, outras três vítimas foram enterradas, uma de cada vez. O segundo a ser sepultado foi Carlos Augusto Leckar, proprietário da moto roubada. Depois foram enterrados os corpos de Everaldo da Silva e de Jorge da Silva Barcelo Filho.

“Meu Deus, não estou acreditando nisso. Por que o senhor levou o meu marido? Tínhamos muitos planos de vida”, gritava desesperada a esposa de Carlos Leckar enquanto o cortejo passava com o corpo do seu marido.

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