Corpo de Emanuel de Macedo Soares é cremado

Anderson Carvalho

O corpo do jornalista, escritor e historiador Emmanuel Bragança de Macedo Soares, falecido na madrugada do último dia 14, aos 71 anos, cujo velório foi no cemitério Parque da Colina, na região de Pendotiba, foi cremado em cerimônia reservada apenas à família. Ele estava internado há dez no Hospital Estadual Azevedo Lima, no Fonseca, tratando de uma infecção pulmonar, mas não resistiu à doença. Estuda-se a possibilidade do nome dele batizar a via de acesso ao Túnel Luís Antônio Pimentel, no Cafubá.

Em 1993, Emmanuel publicara, pela Niterói Livros, “As Ruas contam seus nomes”. A obra, contudo, vai até a letra K. “Houve depois mudança de governo e não foi possível a publicação do segundo volume. Acredito que tenhamos os originais deste. Eu e meus irmãos iremos pesquisar o acervo e trataremos da publicação dele e de outros textos deixados”, contou o jornalista Marcelo de Macedo Soares, um dos quatro filhos do historiador. Os demais são Cristina, Fabrícia e João Augusto. Além dos netos Pedro e Lucas.

A pedido de Emmanuel, metade de suas cinzas serão jogadas esta semana na orla de São Francisco, frequentada pelo historiador, escritor e jornalista e a outra metade na Lagoa de Araruama, onde nasceu. Fez o curso primário nos grupos escolares Edmundo Silva (Araruama) e José Bonifácio (Niterói). O secundário foi no Liceu Nilo Peçanha e o Colégio Pedro II. Iniciou, na Universidade Federal Fluminense, os cursos de Jornalismo e História, que não chegou a completar.

Começou a carreira no Diário Carioca, fundado em 1920 pelo primo José Eduardo de Macedo Soares, passou pelas redações de diversos jornais, como Última Hora, Jornal do Brasil, A TRIBUNA, O Diário Fluminense, entre outros.

Como pesquisador, trabalhou no Museu do Ingá, Museu da Imagem e do Som, Fundação de Atividades Culturais de Niterói (atual Fundação de Arte de Niterói), Museu Antônio Parreiras e Empresa Niteroiense de Turismo (antiga Enitur, atual Neltur). Foi editor do suplemento cultural O Prelo e coordenador de Projetos Especiais da Imprensa Oficial do Estado; além de membro do Conselho Consultivo do Projeto de Restauração do Teatro Municipal de Niterói. De 1996 a 2005, foi diretor do Arquivo da Câmara Municipal em membro do Arquivo Público do Estado.

Publicou cerca de 20 livros e em 1976 assumiu a cadeira número 13 da Academia Fluminense de Letras. Também foi membro da Academia Niteroiense de Letras. Entre as principais obras estão “José Clemente e a Vila Real da Praia Grande – Ensaio histórico”, “Os monumentos de Niterói”, “A prefeitura e os prefeitos de Niterói”.

O médico e ex-prefeito Waldenir de Bragança considera que Emmanuel era a memória viva da cidade. “A memória é a mãe da história. Só quem guarda uma boa memória pode escrever a história. Ele tinha uma acima da média dos viventes. Podia contar e recontar a história de Niterói e do estado do Rio. Pela sua contribuição ao jornalismo, historiador e o conjunto de sua obra é imortal. Tinha uma sensibilidade intelectual”, contou Waldenir.

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