Construir está mais caro: da mão de obra ao material de construção

Raquel Morais –

Comprar material de construção, contratar mão de obra de um pedreiro e iniciar uma reforma. A sequência só é fácil na teoria. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) registrou inflação de 0,58% em julho. Comerciantes reclamam do congelamento dos preços, pedreiros e ajudantes reclamam dos valores das diárias e niteroienses reclamam da dificuldade de conseguir fazer uma obra. Apesar de tanta reclamação, o índice apontou a alta de preços em 0,90% para mão de obra e 0,28% para os materiais de construção.

O gerente da loja Ponto da Construção, em Santa Rosa, informou que de janeiro até agosto, as vendas caíram cerca de 40%. Diferente da pesquisa, o comerciante apontou que os preços dos produtos estão congelados desde o início do ano. “Não estamos vendendo bem e aumentar qualquer centavo seria um tiro no pé. Estamos mantendo o preço há muitos meses e vamos permanecer assim até essa crise diminuir”, comentou José Fernandes, de 45 anos. O funcionário ainda ressaltou que cimento e areia são os materiais que mais têm procura na loja. O saco de 50 quilos de cimento é vendido por R$ 20 e o de areia a R$ 1,60.

E se os comerciantes não conseguem aumentar o preço dos produtos, o serviço da mão de obra, que aumentou 0,90%, segundo o levantamento, acontece na prática. O pedreiro Diogo Silva, de 27 anos, disse que no ano passado cobrava R$ 70 pela diária do seu serviço e hoje o valor está em R$ 100, um aumento de 42%.

“Na verdade esse custo deveria ser mais alto, mas não consigo fechar serviços se pedir mais de R$ 100. Mas trabalhar por R$ 70 também não dá”, explicou o profissional, que trabalha no ramo desde criança. “Meu pai era pedreiro e cresci nas obras ajudando ele”, completou.

O jornaleiro Antônio Bernardo, de 66 anos, está há anos querendo construir um terraço na sua casa, mas devido ao aumento nos preços dos materiais e da mão de obra, não consegue realizar esse sonho. Pelas contas do niteroiense, o custo total seria de R$ 20 mil, mas enquanto não consegue juntar o valor, os preços vão subindo e a conta nunca fecha.

“A tendência é sempre aumentar. Então daqui a uns dois anos sei que não vou gastar esse valor, será bem mais. E assim o sonho vai ficando cada vez mais distante”, contabilizou. “A única coisa que consigo fazer, e muito devagar, são pequenas reformas em casa, mas minha churrasqueira e meu ‘chuveirão’ vão ficando cada vez mais longe”, completou chateado.

O Sinapi havia registrado inflação de 0,38% em junho. O índice acumula taxas de inflação de 2,46% no ano e 4,25% nos últimos 12 meses. Entre as unidades da federação, o Rio de Janeiro foi o estado com maior alta em julho: 3,03%.

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