Comerciantes unidos para barrar onda de assaltos

Augusto Aguiar –

“Por causa dessa onda de assaltos, as noites da Zona Sul e de outras regiões da cidade estão ficando vazias. É um complicador a mais para a classe dos comerciantes. Está refletindo na baixa procura. As câmeras de segurança não estão mais inibindo a ação dos bandidos. Eles não estão mais se importunando com isso”. Preocupado com a alarmante onda de roubos a estabelecimentos comerciais na cidade, sobretudo nos últimos meses na Zona Sul de Niterói, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Luis Vieira, anunciou que dentro de alguns dias organizará, por regiões da cidade, grupos de whatsapp interligados à delegacia da área, ao 12º BPM, ao Programa Niterói Presente, Cisp (Centro Integrado de Segurança Pública) e ao próprio órgão.

A iniciativa, chamada de Comerciante Solidário”, será mais uma tentativa para buscar inibir a ação de bandidos que estão levando pânico tanto para a classe, quanto para os clientes, como deixou a entender o dirigente, estão cada vez menos evitando deixar suas casas, no período noturno, temendo se tornarem mais uma vítima da ousadia dos bandidos. Na madrugada de sexta-feira, pelas redes sociais, foi informado mais um roubo a estabelecimento comercial – bares, restaurantes e lanchonetes são os principais alvos dos bandidos. Por volta de meia-noite, clientes que estavam no Bar Siri 2, situado na esquina das ruas Presidente Backer e Gavião Peixoto, foram rendidos por ladrões armados e obrigados a entregar dinheiro e pertences. De acordo com mesmo informe, durante o assalto, os bandidos ainda ameaçaram motoristas que passavam pelo local, apontando suas armas na direção dos condutores.

“Já realizamos anteriormente uma reunião sobre esse assunto e vamos realizar outra, com as presenças do comandante do batalhão da área e representantes das delegacias. Uma das principais queixas que recebemos é a ausência de viaturas em patrulhamento após determinados horários, período em que se aproveitam essas quadrilhas. A criação desses grupos de whatsapp será para interligar a classe, no qual o comerciante pode alertar presenças suspeitas e, assim, podemos acionar uma viatura com mais rapidez para averiguação, e etc”, enumerou Luiz Vieira, lembrando que iniciativas semelhantes ao comerciante solidário já foram implantadas por moradores de bairros da Região Oceânica. Num primeiro passo, o projeto será implementado com os comerciantes das regiões do Centro e da Zona Sul, abrindo assim um importante canal de ouvidoria, lembrando também que o número de ocorrências seria muito maior do que o divulgado ofialmente, pois várias vítimas de roubo não formalizam os registros.

Saque a pertences
“Os bandidos estão focando nos clientes, que estão sendo saqueados pois não há um volume grande de dinheiro no comércio. Eles invadem o estabelecimento, saqueiam os clientes e também o caixa do comércio. Vamos exigir do batalhão o planejamento para ações de combate a esses delitos. Num primeiro contato, o comandante do 12º BPM afirmou na ocasião que estava enfrentando o problema das viaturas danificadas. Apesar da ajuda que a classe oferece, os danos ainda ocorrem porque essas viaturas têm mais de sete anos de uso. Conserta-se uma e danifica-se outra”, explicou Luis Vieira, acrescentando que o CDL está disposta a ajudar as polícias no que for necessário, acreditando na eficácia da ação das forças de segurança na intervenção pública no estado e de iniciativas que já estão sendo implementadas em Niterói, como o Proeis, com recursos e viaturas doados pela prefeitura. “Eu entendo esse temor. Faz sentido. Preferimos não nos identificar, denunciar, e nem registrar ocorrências, porque a polícia não estará o tempo todo aqui nos protegendo da ação desses assaltantes. Já fui assaltado uma vez e a sensação é de impotência. Nada impede que os mesmos bandidos retornem para atacar outra vez no local”, afirmou o proprietário de uma loja, situada na Rua Mariz e Barros, em Icaraí.

O subcomandante do 12º BPM, tenente-coronel Fábio Marçal, afirmou que os índices de roubos na área do batalhão são considerados altos, mas também admitiu que realmente muitas vítimas não tomam a iniciativa de comunicar a ocorrência. “O que ocorre é que muitas vezes, com os números oficiais que temos, fica caracterizado que a chamada mancha criminal não condiz com os dados que temos. Quando nos informam sobre uma ocorrência, enviamos o comandante de companhia ao local para tomarmos providências. Vários preferem postar imagens das ocorrências nas redes sociais e não registram. Acho positivo a iniciativa da criação do grupo de comerciantes no whatsapp. Será muito bem-vindo, pois já contamos com o grupo de alerta em vários bairros, e disponibilizamos um policial e um funcionário da ONG Viver Bem para fazer esse monitoramento, e nos deslocarmos com mais rapidez. É mais ágil que o sistema 190, mas não o substitui. Muitos estabelecimentos possuem câmeras de segurança e tão logo algo suspeito seja detectado, poderemos nos deslocar após a comunicação com mais rapidez e eficiência”, explicou.

Entre os estabelecimentos onde os clientes foram roubados estão: o Sport Bar, Bar e Restaurante Siri 2, Lanchonete Compão, Bar Friends, Matinata Sucos e Lanches, Bar Travessa e Queen, situados num raio de cerca de dois quilômetros.

ROUBOS A ESTABELECIMENTOS COMERCIAIS
(Grande Niterói – Primeiro trimestre 2018)

Janeiro Fevereiro
Centro 4 7
Zona Sul 16 8
Zona Norte 8 17
Reg. Oceânica 2 7
Maricá 5 3

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