Chacina no Salgueiro: MP pede arquivamento do inquérito

Augusto Aguiar –

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) pediu o arquivamento do inquérito que investigava as mortes de oito pessoas no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, no dia 11 de novembro do ano passado. Na ocasião, agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e soldados do Exército realizavam operação na região. Também na época, moradores, parentes e amigos das vítimas chegaram protestar e interromper o trafego na Rodovia Niterói-Manilha (BR-101), quando afirmaram que chacina teria sido cometida por militares da Força Nacional de Segurança.

À época, foi alegado pela polícia que os agentes haviam encontrado as vítimas mortas quando chegaram na localidade. Peritos atestaram e confirmaram a versão de que eles não haviam feito os disparos que atingiram as vítimas. Até mesmo uma suposta tentativa de invasão do Complexo do Salgueiro por traficantes rivais foi descartada pelo documento encaminhado para a 4ª Vara Criminal de São Gonçalo. O MP enviou uma cópia dos autos ao Ministério Público Militar (MPM), que por sua vez investiga a atuação dos soldados do Exército no episódio.

“O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, através do GAESP – Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública, considera ter sido esgotada toda a linha de investigação possível para elucidar os fatos no que atine à sua atribuição”, diz um trecho do documento.

Ainda de acordo com o texto, “há indícios mínimos de que os policiais da CORE/PCERJ tenham sido os autores dos homicídios encontrados, nem, tampouco, que o Complexo do Salgueiro tenha sofrido uma tentativa de invasão por parte de alguma facção criminosa justamente no horário em que as forças de segurança ali ingressavam”.

O MP afirmou também que o Complexo do Salgueiro é o principal entreposto do Comando Vermelho no Estado.

“Como se sabe, o Complexo do Salgueiro é hoje o principal entreposto da facção criminosa comando vermelho no Estado do Rio de Janeiro. Dotado de peculiar geografia e às margens da Baía de Guanabara, da qual é separada por vultoso mangue e mata, não há sequer relatos de uma tentativa de invasão da comunidade por qualquer outra facção criminosa sendo impensável que justamente no momento em que as forças de segurança faziam a incursão, criminosos brotaram das matas que margeiam a Baía de Guanabara para atirarem nas pessoas que passavam pela Estrada das Palmeiras”.

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