Caos nas calçadas de São Gonçalo

Raquel Morais –

No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho. Nunca o poema de Carlos Drummond de Andrade foi tão apropriado como no bairro Boa Vista, em São Gonçalo. A situação das calçadas de outros bairros do município também vem chamando atenção de moradores e comerciantes. Além de pedra, mato, degrau, rampa, lixo, carros e postes são alguns dos obstáculos que dificultam o transitar dos pedestres, que se arriscam na rua para conseguirem se locomover.

Na Rua Formosa, a extensão da calçada de um quarteirão inteiro é marcada por desníveis, rampas para entrada de carros e muitos degraus. “É impossível andar bem nessa calçada. Imagino o que deve sentir um deficiente físico na hora de passar por essa rua”, comentou o eletricista Reginaldo Monte, de 76 anos.

Para a dona de casa Maria Iranete Cavalcante, de 57 anos, o maior perigo é passar pela rua para desviar dos obstáculos.
No mesmo bairro, na Travessa Frederico Marques, literalmente uma pedra foi esquecida no meio do caminho. Os pedestres têm apenas três palmos de calçada livre para circular. “É uma situação muito desagradável e incomoda todo mundo que passa pela calçada”, sintetizou o comerciante Ivanir Silva, de 73 anos.

Em Neves a situação se repete em várias vias, como na Avenida Paiva, na altura do número 590, onde a calçada está obstruída pelo lixo. No bairro vizinho, Nas ruas Dr. Alberto Torres e José Ramos de Oliveira, no Vila Laje, a dificuldade em andar a pé também chama atenção de pedestres e moradores. “Não são só os deficientes físicos que sofrem para se locomover pelas calçadas de São Gonçalo. Idosos e mães com crianças de carrinho muitas vezes andam pela rua e acabam correndo risco de atropelamento, para não passar pelas calçadas”, pontuou uma moradora do bairro que não quis se identificar.

A Subsecretaria de Fiscalização de Posturas de São Gonçalo esclareceu que a obrigação pela construção e manutenção das calçadas é dos proprietários de imóveis e estabelecimentos, de acordo com a Lei Municipal 40/2005. Em caso de descumprimento, pode ser aplicada multa de 300 UFISGs (o valor atual da UFISG é de R$ 33,52), o que representa autuação de mais de R$ 10 mil. No entanto, não esclareceu como são realizadas as fiscalizações e nem quantas pessoas foram autuadas no último ano.

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