Aumento na cobrança da taxa de limpeza em São Gonçalo gera revolta nos gonçalenses

Raquel Morais –

Uma mudança na cobrança da taxa de coleta de lixo de São Gonçalo está deixando os moradores da cidade inconformados. O imposto, que custava R$ 12,73 para todos os imóveis, agora vai variar de acordo com a metragem do terreno, entre R$ 16,76 e R$ 33,52 para residências e R$ 67,04 e R$ 184,36 para prestadores de serviços, imóveis comerciais e industriais. Além do aumento nas contas, os gonçalenses reforçam que o valor pago não reflete em uma cidade limpa com um serviço de coleta regulamentado. Vários bairros do município sofrem com a coleta irregular, segundo moradores e comerciantes, e não é difícil achar lixo espalhado em ruas, calçadas e terrenos.

Segundo a prefeitura de São Gonçalo, através da Secretaria de Fazenda, o ajuste na taxa de coleta de lixo foi realizado na busca de um equilíbrio na cobrança do imposto, com base no princípio da capacidade contributiva. Anteriormente, era cobrado um valor de R$ 12,73 para todos, sem fazer qualquer distinção. Um morador de um imóvel de 50m² pagava a mesma taxa de uma grande empresa, por exemplo.

Para imóveis residenciais até 100m² a taxa será de R$ 16,76; de 101 a 150m² será de R$ 24 e acima de 151m² a taxa será de R$ 33,52. Esse último mostra um aumento de 163,31% quando comparada a taxa única de 2017 (R$ 12,73). Já para imóveis não residenciais a variação é ainda maior: até 100m² o valor será de R$ 67,04; de 101 até 300m² será de R$ 100,56; 301 até 700m² será de R$ 117,32; de 701 até 1000m² de R$ 134,08; de 1001 até 5000m² a taxa será de R$ 167,60 e para imóveis acima de 5001m² será de R$ 184,36. Comparando o valor único e a taxa mais cara a diferença chega aos 1348,23%.

A taxa da limpeza veio junto como o Imposto Sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), que poderá ser pago a partir do próximo dia 25 com desconto de 5%. A pasta ainda reforçou que quase metade dos contribuintes não pagam IPTU. Na análise do prefeito José Luiz Nanci, a alta inadimplência dificulta os investimentos necessários no município. “Entendo que a população esteja cansada de esperar pelas melhorias em seus bairros, mas se a Prefeitura não arrecadar, não consegue obter recursos para realizar os investimentos. Estamos planejando o futuro, rumo à solução das centenas de demandas que São Gonçalo possui”, explicou José Luiz Nanci.

LIXO ESPALHADO

Lixo urbano, resto de material de construção e móveis velhos são alguns tipos de dejetos deixados em ruas e calçadas de São Gonçalo. Não tem esquina que escape do lixo acumulado, como é o caso das ruas R. Marechal Floriano Peixoto (Covanca), Doutor Pio Borges (Pita), Doutor Getúlio Vargas (Santa Catarina), Coronel Serrado (Zé Garoto) e Visconde de Itaúna (Gradim). “A coleta de lixo em São Gonçalo sempre foi ruim e não vejo possibilidade de melhora. Acho um absurdo aumentar a taxa para esse serviço e ainda vou aguardar antes de pagar para ver se esse decreto vai passar a valer mesmo ou não”, comentou a gonçalense Maria Aparecida da Costa, 43 anos, dona de casa.

A Subsecretaria de Limpeza Urbana esclareceu que a coleta está normalizada em todo município, mas, em alguns casos, o acúmulo é ocasionado pelo despejo em horários e locais impróprios. O órgão irá investigar a denúncia.

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