Artista plástica pinta postes e incentiva a doação de livros nas ruas

Anderson Carvalho –

Quem passa pelas ruas Martins Torres, Santa Rosa e o Largo do Marrão, todas no bairro Santa Rosa, fica admirado de ver postes pintados com flores e, alguns, nos pontos de ônibus, com caixotes, onde as pessoas podem entregar livros para doação. O trabalho é da artista plástica Mirra Antonioli, de 49 anos, moradora de um casarão na Rua Martins Torres, onde mantém a ONG Viver – Visão Verde, que engloba aulas de música, lutas e artes a preços populares, além de abrir o campo de futebol para crianças carentes da comunidade.

De um ano para cá pintou 40 postes, sendo que oito deles têm caixotes da Biblioteca de Rua. Até o momento, o projeto intitulado “Museu de Rua” já recebeu cerca de 200 livros e muitos deles já foram pegos por populares, que os trocaram por outros livros. O trabalho ainda vai se expandir para outros bairros e chegar à cidade do Rio de Janeiro. “Três pessoas já entraram em contato comigo e querem pintar postes no Cubango, Fonseca e na capital. Vou ensiná-las”, contou Mirra, que é artista autodidata.

A ideia surgiu em 2005, em uma viagem a Tailândia, logo após o tsunami que matou milhares de pessoas e deixou muitas desabrigadas. “Eu faço trabalhos sociais desde os sete anos de idade. Subia o morro e alfabetizava outras crianças, ensinando o que aprendia na escola. Na Tailândia, fiz parte do projeto Voluntários – Tsunami, onde tive a ideia de pintar postes para alegar o ambiente daquele lugar. Lá, incentivada por um professor, criei o Museu da Esperança, que deu origem aqui ao Museu de Rua. Fiquei lá três meses. Em 2010 fui voluntária no orfanato de Madre Teresa de Calcutá, em Maputo (Moçambique), onde fiquei três meses, indo em seguida para Jerusalém, em Israel, onde fiz o mesmo trabalho. Três meses depois, fui para a Etiópia”, lembrou a artista plástica.

Em 2006, em Niterói, pintou postes e colocou caixotes para doação de livros em ruas de São Domingos. Porém, o trabalho foi desfeito pela prefeitura, sem alegação aparente. Em 2016, Mirra retomou o trabalho nos postes da Boa Viagem, perto da ponte que dá acesso à Ilha da Boa Viagem. O trabalho porém, foi coberto de tinta cinza por funcionários da prefeitura, sob alegação de dano ao patrimônio histórico. O que foi negado por Mirra. “Não pintei nada do patrimônio histórico. Apenas no entorno. Entrei com processo na justiça e no ano passado a juíza deu razão a mim, dizendo que o mundo precisava de pessoas como eu. Isso me motivou a continuar”, relatou a pintora, que chegou a pintar 150 postes na região em 2016.

A artista começou pintando de três a quatro postes por dia e hoje pinta 15. “Eu mudei a técnica. Passei a usar colagem de tecidos e pintar as folhas. Na Rua Martins Torres eu pintei orquídeas e nas outras ruas, rosas, em referência ao nome do bairro. Uso tinta acrílica, que não é tóxica”, explicou Mirra. O trabalho chamou a atenção de internautas, que postaram fotos dos postes pintados nas redes sociais e elogiaram a iniciativa.

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