Alunos e professores da UFF cobram transparência nas discussões do Morro do Gragoatá

Wellington Serrano –

A audiência pública na UFF, que discute, na próxima quinta-feira, o imbróglio sobre a propriedade e uso do solo do Morro do Gragoatá, alvo de ações ambientais na justiça, nem teve início, mas já gera confusão. É que além da ausência do atual reitor Sidney Mello, que nomeou uma professora de Nutrição para presidir a sessão em seu lugar, as representações dos docentes, estudantes, servidores e políticos desconfiam da data (que será um dia após o feriado da Proclamação da República) e o local escolhido para o encontro.

Após verem a convocação publicada no Boletim de Serviço da Universidade, no último dia 30 de outubro, os estudantes e professores, reclamaram pedindo a mudança da reunião para uma sala maior. Eles estranharam o local escolhido e sinalizam que o auditório da Escola de Engenharia, em São Domingos, fica num lugar de difícil acesso e tem o auditório pequeno.

“No terceiro andar da Escola de Engenharia não cabe nem uma mosca”, disse um aluno ao condenar o local. Mesma opinião do ex-reitor Roberto Salles, que não entendeu o porquê da tão esperada reunião não acontecer no Auditório do Conselho Universitário (CUV). “O estranho, além da data é que o CUV é na Geociências. Um auditório maior e no térreo”, criticou.

Salles reafirmou a tentativa de outro esvaziamento da audiência e disse estar descontente com a ausência do reitor da universidade e de seu vice-reitor, Antônio Claudio da Nóbrega. Segundo ele, Mello não costuma se fazer presente nas comissões. “Mas é nosso dever convocá-lo. A professora Alexandra Anastácio, que vai presidir a audiência do Morro do Gragoatá, às vésperas do feriado, dia 16, tem mais ou menos seis anos de UFF, não tem experiência dos problemas, mas é fiel à atual gestão e ao candidato a reitor apoiado por Sidney”, lamentou.

Mesma opinião do vereador Paulo Eduardo Gomes (Psol), que disse não ter ficado surpreso com a tentativa de enganar a população. “Não me surpreende. Além do mais, em vez de colocar a audiência sob a presidência de algum professor da Arquitetura, Direito ou Engenharia, colocar alguém da Nutrição é fora do normal. São nesses detalhes que se encontram as falcatruas e maracutaias”, esbravejou o vereador.

Deputado diz que área para construção esbarra no meio ambiente e na Aeronáutica
Segundo o membro da Comissão de Meio Ambiente da Alerj, deputado estadual Flavio Serafini (Psol), o plano de construção do grupo privado para explorar um empreendimento imobiliário numa área de mais de 60 mil metros quadrados no alto do morro do Gragoatá, pertencente à UFF, tende a arrecadar milhões.

“Por isso o interesse tão obscuro. Depois de pronto, o condomínio vai gerar um lucro para poucos e um passivo ambiental para muitos”, disse Serafini. O deputado fez uma visita de reconhecimento da área, acompanhado de professores, estudantes da UFF e vereadores. Ele defendeu que a área não pode ser entregue à especulação imobiliária. “Além de ser da Universidade e contar com projetos de pesquisa, trata-se de uma área de proteção ambiental que deve ser preservada”, alertou. Ele disse que aguarda os resultados dos entraves marítimos e aeronáuticos e o processo ambiental na 3ª Vara Federal.

“Não vamos aceitar a devolução do terreno para a Planurbs S/A com a concordância do atual reitor Sidney Mello”, realçou. Serafini disse ter acesso ao manifesto dos estudantes de Arquitetura e Urbanismo da UFF, e elogiou o levantamento de atuação e pesquisa da Escola.

“O estudo mostra que a área útil plana é de aproximadamente 40.000m². Tirando-se 35% para arruamento e outros, restam 26.000m². Teoricamente teria um potencial de 91.000m², o que poderia dar um Valor Geral de Vendas (VGV) de uns R$ 910 milhões (a R$10.000/m²). Estima-se, nesse caso, que o terreno possa ser avaliado entre 25% deste valor, ou seja, entre R$ 227 milhões. Contudo, conforme legislação do Ministério da Aeronáutica e também do Ministério do Meio Ambiente nada ali pode ser construído”, enfatizou o deputado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *