Acidentes com ônibus em Niterói preocupam especialistas

Augusto Aguiar e Raquel Morais –

Dois acidentes de ônibus na Região de Pendotiba e na Zona Norte de Niterói deixaram uma pessoa ferida e causaram muitos transtornos na manhã de ontem. No primeiro, o motorista de um coletivo da linha 36 (Sapê-Centro) perdeu o controle do veículo na Rua Amadeu Gomes, a princípio por ter dormido na direção, e arrancou o poste de energia do lugar. O segundo foi na Alameda São Boaventura, no Fonseca, onde um veículo e um ônibus se chocaram e uma pessoa ficou ferida. Na última sexta-feira, o motorista de um coletivo teve um mal súbito e atropelou seis pessoas que estavam na calçada da Estrada de Itacoatiara. Os acidentes chamam atenção de especialistas de trânsito, já que em cinco dias foram registrados três acidentes envolvendo coletivos somente em Niterói.

Por volta das 5h30min de ontem, o motorista de um coletivo da linha 36, da Viação Santo Antônio, perdeu o controle do veículo e atingiu um poste e arrastou a fiação na Rua Amadeu Gomes, altura do número 105. A técnica em enfermagem Márcia Justino, de 50 anos, mora em frente ao local do acidente e ajudou o motorista, que teve sua identidade preservada.
“Ele saiu sozinho do coletivo, eu ofereci ajuda e ele disse que estava com o ônibus vazio, indo guardar o ônibus na garagem quando perdeu a direção do veículo. Ele tinha trabalhado a madrugada toda e estava assustado”, comentou.

Agentes da Niterói Transporte e Trânsito (NitTrans) foram acionados para o local e interditaram a rua para a troca do poste que foi arrancado com o impacto da batida. Um funcionário da Viação Garcia, do mesmo grupo da Viação Santo Antônio, explicou que o motorista passou mal e perdeu a direção do veículo, que estava a 27 quilômetros por hora, segundo o GPS da empresa.

Quase duas horas depois do primeiro acidente, na pista sentido São Gonçalo da Alameda São Boaventura, na Zona Norte da cidade, um ônibus da linha 1484, da Viação Fagundes, que fazia o trajeto Centro-Alcântara, e um Monza verde se envolveram em uma colisão, que deixou um rapaz ferido. O acidente ocorreu nas imediações do cruzamento com Rua Desembargador Lima Castro e a vítima, identificada como Isaque Alves, de 20 anos, foi socorrida e medicada no Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal). O trânsito ficou confuso no local do acidente.

ESPECIALISTAS COMENTAM
O especialista em trânsito Márcio Dias explicou que dois fatores atrapalham a direção e podem provocar um acidente: o excesso da carga horária e as condições de trabalho, por exemplo, a falta de ar-condicionado, que pode causar mal-estar para o motorista. “Outro ponto que pode ser analisado é a questão do sono, já que muitos motoristas não completam o ciclo do sono suficiente e isso pode provocar um acidente. Aumentar o número de operadores de trânsito e reformular a sincronização dos sinais de trânsito também são questões que podem ser revistas para melhorar essas condições de trafegabilidade”, pontuou.

O médico da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Egas Caparelli Dáquer, completou que existem diversos estudos de motoristas profissionais que são submetidos à carga pesada de trabalho e falta de descanso. “Eles são submetidos ao estresse diário que o próprio trajeto urbano ocasiona. A demanda é muito grande e isso ocasiona uma redução da eficiência através do desgaste emocional e físico também. A condição em termo de saúde impacta imediatamente no desempenho do motorista. Obesidade, problemas de coluna e estresse são alguns dos problemas registrados na associação”, completou.

Dados do Sindicato dos Trabalhadores dos Trasportes Rodoviários de Passageiros de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac) mostram que atendimentos na área de psicologia, neuropsiquiatria, neurologia e psiquiatria estão entre os mais realizados pelos médicos do sindicato. De 1º de novembro de 2017 até 7 de novembro de 2018 foram registrados, respectivamente, 4.156, 1.789, 1.376 e 1.092 atendimentos nessas especialidades. “Isso significa, segundo nossos especialistas, que os velhos males da categoria continuam a afligir os trabalhadores, como o estresse cotidiano e a violência a que somos submetidos. No entanto, nossos especialistas continuam a atender todos os trabalhadores rodoviários associados ao Sindicato e seus familiares, criando, inclusive, grupos de terapia para casos mais graves”, concluiu o presidente Rubens dos Santos Oliveira.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *